Por que um discurso do presidente do BC americano hoje pode mudar tudo?

As considerações de Ben Bernanke, às 11h desta sexta-feira, têm o poder de alterar os rumos da economia americana

São Paulo – Desde 1978, um grupo bastante importante de economistas do mundo inteiro se refugia anualmente em uma pequena cidade do estado americano de Wyoming para debater a situação da economia global. Enquanto isso, colados aos terminais estão milhares de operadores e investidores esperando alguma declaração bombástica das principais figuras ali reunidas, como o presidente do Federal Reserve (BC americano), Ben Bernanke.

O encontro em Jackson Hole tem ganhado importância a cada ano e tomou uma proporção ainda maior quando Bernanke anunciou durante o seu discurso que poderia iniciar um novo programa de recompra de títulos do Tesouro americano, o famoso QE2 (Quantitative Easing, ou afrouxamento monetário). Ele de fato foi anunciado e ajudou a inundar a economia americana com mais 600 bilhões de dólares. E é isso o que o mercado tem especulado nos últimos dias.

Os investidores esperam com muita apreensão um possível sinal de um QE3 nas palavras de Bernanke nesta sexta-feira, o que ajudaria o país a enfrentar mais uma fase de desaceleração econômica. Vários bancos têm revisado para baixo a perspectiva para a economia do país. O JPMorgan reduziu a sua estimativa para o crescimento no 4º trimestre deste ano de 2,5% para 1,0%, e rebaixou para o 1º trimestre de 2012 de 1,5% para 0,5%. O Citigroup cortou sua projeção de 1,7% para 1,6% em 2011, e de 2,7% para 2,1% em 2012.

Mas o que ele de fato fará? O banco Nomura lembra que o simpósio de Jackson Hole é um encontro no qual os economistas debatem um tema, que neste ano é “Maximizando o crescimento econômico de longo prazo”, ou seja, um tópico bastante amplo e que abre espaço para que Bernanke ou qualquer outro participante comente sobre os recentes desenvolvimentos econômicos e os efeitos deles para as políticas de longo prazo.

“Esperamos que Bernanke apenas faça isso. Mas os participantes do mercado não devem esperar que o discurso do presidente do Fed ofereça uma ação específica como necessária ou inevitável”, avalia o banco. Essa é a mesma expectativa do Citi. “As condições financeiras e econômicas são similares àquelas de um ano atrás quando ele gerou sérias especulações sobre um novo afrouxamento”, dizem os economistas. Contudo, a expectativa é de que ele apenas comente sobre o último comunicado do Fed que assegurou o juro entre zero e 0,25% ao ano até 2013.

É esperar para ver. O discurso começará às 11h, horário de Brasília.