Petróleo, greve, juros, China: a leva de incertezas na bolsa

Os ataques à Arábia Saudita puxam a fila de eventos que podem mudar as perspectivas de investidores nos próximos dias

São Paulo — Semana que vai, semana que vem. As principais bolsas mundiais fecharam em alta a semana passada com boas perspectivas de uma nova rodada de negociações comerciais entre China e Estados Unidos e com o adiamento de um nova leva de taxas a produtos chineses prevista para entrar em vigor em primeiro de outubro.

Além disso, o Banco Central Europeu reduziu em mais 0,1 ponto percentual a taxa de juros e anunciou um pacote de estímulo à economia. O Ibovespa teve sua terceira semana de alta, aproximando-se mais uma vez de seu recorde nominal.

Para esta semana, as atenções estão voltadas principalmente para as reuniões que definirão a nova taxa de juros nos Estados Unidos e também no Brasil, no dia 18 (Japão e Reino Unido definem suas taxas no dia 19). A perspectiva é de novos cortes tanto no Brasil quanto nos EUA — ou pelo menos, este era o cenário antes de um fim de semana abarrotado de notícias que trouxeram novas incertezas para o tabuleiro global.

O principal evento com consequências ainda incalculáveis vem do Oriente Médio, onde um ataque a drones na Arábia Saudita fez o governo de Donald Trump culpar diretamente o Irã. Trump vai responder com vigor, elevando o risco de uma guerra na região e forçando um evento com consequência eleitorais imprevisíveis? Ou vai deixar a reação para a Arábia Saudita, o que alteraria o jogo de forças políticas no Oriente Médio? O evento pega Trump sem seu conselheiro de segurança nacional, John Bolton, demitido na semana passada justamente por divergências em relação ao Irã — Bolton era contra gestos de aproximação com os persas.

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Os sauditas, por sua vez, vão levar adiante o plano de abrir capital da Saudi Aramco, a estatal de petróleo do país? O adiamento do maior IPO do ano pode aumentar o clima de ressaca nas bolsas americanas, que vivem um 2019 apático após anos de anos na gestão Trump.

“A alta do petróleo no domingo certamente impactará a inflação nos Estados Unidos, que já está acima de 2%, e tornará o corte de juros ainda mais arriscado, caso venha mesmo a ocorrer”, diz Marcelo López, gestor de carteiras e fundos da gestora L2 Capital Parners.

O presidente americano também terá que lidar, nesta segunda-feira, com uma greve nacional de funcionários da montadora General Motors, a maior para o setor automotivo no país em uma década. Mais de 40 mil trabalhadores pedem maiores salários e protestam contra o fechamento de fábricas no país, uma consequência das mudanças na logística industrial do mundo contra a qual Trump tenta duelar na base de canetadas.

Para complicar a rodada de notícias ruins, a China anunciou nesta segunda-feira que sua produção industrial cresceu apenas 4,4% em agosto, ante 4,8% em julho e bem abaixo dos 5,2% previstos. O varejo cresceu 7,5%, também abaixo da previsão de 7,9%.

Em outubro o país comemora os 70 anos da revolução comunista, e não está claro para analistas se a data será oportunidade de uma nova leva de estímulos ou se servirá de deixa para uma redução na produção industrial visando dissipar a poluição nas grandes cidades chinesas.