Petróleo cai diante de possibilidade de aumento da oferta líbia

Os preços do petróleo caíram nesta segunda-feira em Londres e Nova York, diante da possibilidade de um aumento da oferta na Líbia, apesar de temores sobre a reativação japonesa, como consequência da persistência da crise nuclear.

No New York Mercantile Exchange (Nymex), o barril de West Texas Intermediate (designação de “light sweet crude” negociado nos EUA) para entrega em maio terminou em 103,98 dólares, em queda de 1,42 dólar em relação a sexta-feira.

No IntercontinentalExchange de Londres, o barril de Brent do Mar do Norte com igual vencimento caiu 79 centavos, a 114,80 dólares.

“De toda forma, o mercado está em modo de correção há alguns dias”, afirmou Tom Bentz, do BNP Paribas, mas dois elementos contribuíram para fazer baixar os preços.

Por um lado, os problemas que continuam sem se resolver na central nuclear de Fukushima pesam sobre os preços do petróleo, já que os operadores temem “uma queda adicional da demanda” caso a reconstrução do país demore, explicou Phil Flynn, da PFG Best Research.

Vestígios de plutônio foram detectados no solo da usina danificada, onde água altamente radioativa vazou da estrutura onde os reatores estão instalados, levantando um alerta para a possibilidade de contaminação na região.

Mas também pesou sobre os preços a possibilidade de serem reativadas as exportações de petróleo líbio.

O avanço das forças rebeldes na Líbia, que recuperaram o controle de dois importantes portos petroleiros, Brega e Ras Lanuf, “alimenta a esperança de que os envios de petróleo a partir da Líbia normalizem-se em breve”, segundo analistas do Commerzbank.

Em coletiva de imprensa, um porta-voz da insurreição líbia explicou que os campos petrolíferos localizados nas regiões controladas pelos rebeldes produzem de 100.000 a 130.000 barris diários e que a oposição planeja exportar petróleo “em menos de uma semana”.

Ali Tarhoni, representante dos rebeldes a cargo das questões econômicas, financeiras e petroleiras, completou que o órgão político que representa os insurgentes assinou recentemente um acordo com o Qatar – primeiro país árabe a participar da coordenação militar internacional na Líbia -, delegando ao emirado a comercialização do petróleo.