Petrobras sobe 8% por rumor de privatização e leva Bolsa a 101 mil pontos

Índice subiu 2% após rumores de que petroleira terá controle privado; Eletrobras e Telebras também dispararam

A ação da estatal de petróleo Petrobras deu um salto abrupto na tarde desta quarta-feira (21), ajudando a impulsionar o Ibovespa, principal indicador da bolsa. No final de sessão, o índice fechou em alta de 2,00%, na casa dos 101.201 pontos.

A guinada da Petrobras veio após reportagem do jornal “Valor Econômico” mencionando que o governo pretende privatizar a companhia até o final do mandato do presidente Jair Bolsonaro, citando fontes. Segundo o jornal, mesmo fora da lista com 17 estatais que devem ser colocadas à venda, a Petrobras terá controle privado ainda nesta gestão.

Além disso, a petroleira foi beneficiada pela vitória obtida no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que decidiu a favor companhia em um processo administrativo fiscal de R$ 5,1 bilhões sobre a cobrança de Cide-Importação.

A ação preferencial (PN) da estatal chegou a avançar 8,03%, negociada a 25,95 reais. No fechamento, subiu 5,95%. Já a ação ordinária (ON) teve valorização ao redor de 5,3%, cotada a 27,90 reais.

Na onda otimista que dominou os mercados, outras estatais de peso também exerceram pressão de alta no Ibovespa, como o Banco do Brasil, que avançava 4,8% no final da tarde.

Estatais disparam com lista de privatizações

A agenda de privatizações voltou ao radar dos investidores nesta quarta, após o governo sinalizar que vai incluir as duas empresas de capital aberto na lista de 17 ativos que devem ser privatizados até o final do ano.  Os papéis das estatais de energia Eletrobras, e de telecomunicações, Telebras, apresentaram fortes ganhos nesta manhã.

No final da tarde, a ação ordinária (ON) da Eletrobras avançava mais de 12%, negociada a 44,92 reais. Já o papel preferencial da elétrica (PN) subia ao redor de 9%, a 43,98 reais. Fora do Ibovespa, o papel da Telebras chegou a disparar 54% no final dos negócios, cotado a 36,90 reais.

Há expectativa para o anúncio oficial de privatizações após reunião do conselho do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI), que deve incluir também os Correios.

“As coisas estão acontecendo devagarzinho, vai uma BR Distribuidora aqui, daqui a pouco vem uma Eletrobras, uma Telebras, daqui a pouco vem também os Correios, está tudo na lista. Amanhã deve ser anunciado umas 17 empresas só para completar o ano. Ano que vem tem mais”, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, em evento do “Valor Econômico” na véspera.

A Eletrobras, maior elétrica da América Latina e responsável por metade da transmissão e um terço da capacidade de geração no Brasil, já vinha desestatizando parte de suas distribuidoras, em um processo iniciado pelo governo Temer. A venda dos ativos ajudou a melhorar seu caixa no segundo trimestre.

A valorização da Eletrobras tem como pano de fundo, além das expectativas em torno do programa de privatizações, comentários do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que mostrou disposição no empenho para desestatizar a Eletrobras após o plenário da Casa rejeitar, na noite de terça-feira, uma medida provisória que autorizava o Tesouro a realizar pagamento de 3,5 bilhões de reais à estatal.

Por sua vez, a Telebras, que já passou por um processo de desestatização em 1998, foi reativada durante o governo Lula e hoje responsável pela gestão do Plano Nacional de Banda Larga e pelas infraestruturas de fibra ótica da Petrobras e da Eletrobras. O governo, contudo, ainda não divulgou as razões para a possível privatização da estatal.

Um estudo da Confederação Nacional da Indústria, coordenado pelo economista Claudio Frischtak e apresentado em primeira mão por EXAME, apontou que não há, até o momento, evidência de que a estatal tenha cumprido o propósito para o qual foi reativada.

Por estar sob o controle do Estado, a Telebras se submete a regras que engessam sua atuação, além de depender de recursos do Tesouro e enfrentar velhos problemas de uso político, segundo o estudo. A empresa teve sete presidentes em oito anos. A saída recomendada: uma nova desestatização da Telebras.

Mercados no exterior

O otimismo na cena local não foi abalado após a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Fed, que mostrou que o banco central dos Estados Unidos debateu cortar os juros de forma mais agressiva.

Os principais índices de Wall Street subiram nesta quarta-feira com ganhos expressivos de varejistas apontando para a força da demanda do consumidor norte-americano, e mantendo ganhos minutos após a ata do Federal Reserve (banco central dos EUA) mostrar que os dirigentes do órgão debateram um corte mais agressivo da taxa de juros no mês passado.

“A ata da última reunião do FOMC do Fed não mexeu com os mercados, já que o entendimento era que já era velha diante dos fatos posteriores”, escreveu Alvaro Bandeira, economista-chefe do banco digital Modalmais. 

Outros destaques da bolsa

O dia também foi marcado pela disparada nos papéis das principais construtoras da bolsa. MRV e CYRELA subiram mais de 7% e 8%, respectivamente, perdendo apenas para a alta da Eletrobras. O lançamento na véspera pela Caixa Econômica Federal de uma nova linha de financiamento imobiliário vinculada à inflação (IPCA) animou os investidores. Para analistas do Credit Suisse, os termos vieram melhores do que o esperado.

A ação do BANCO DO BRASIL subiu 5,72%, também tendo no radar anúncio de crédito imobiliário mais barato para prazos menores, além de expectativas relacionadas aos planos de privatização do governo. No setor, BRADESCO avançou 1,97% e ITAÚ UNIBANCO teve acréscimo de 0,77%.

A mineradora VALE subiu 0,71%, mesmo com os futuros do minério de ferro na China caindo ao menor nível em 10 semanas nesta quarta, após a gigante da mineração BHP ter apresentado perspectivas pessimistas para os preços. 

Dólar cai em dia de leilão pelo BC

O dólar fechou em queda pelo segundo pregão seguido, o que não acontecia há um mês, diante do dia favorável a ativos de risco no exterior e após o Banco Central ter feito venda direta de moeda no mercado à vista pela primeira vez em dez anos. Entenda a nova intervenção do BC no câmbio

O dólar negociado no mercado à vista (spot) caiu 0,50%, a 4,0314 reais na venda. Na véspera, a cotação havia recuado 0,40%. Desde os dias 17 e 18 de julho, o dólar não engatava duas baixas consecutivas.