Petrobras e Vale ditam nova queda do Ibovespa

Índice era pressionado pelo declínio das ações da Petrobras, com investidores reagindo negativamente à notícia sobre ação judicial coletiva contra a empresa

São Paulo – O principal índice da Bovespa recuava pelo segundo pregão seguido nesta terça-feira, novamente pressionado pelo declínio das ações da Petrobras, com investidores reagindo negativamente à notícia sobre ação judicial coletiva contra a empresa em um tribunal federal de Nova York.

A queda nos papéis da Vale, outra blue chip da bolsa paulista, em meio à queda do minério de ferro na China, reforçavam o tom negativo, assim como o ambiente desfavorável em outras praças acionárias globais.

Às 12h14, o Ibovespa perdia 0,5 por cento, a 50.021 pontos. Na mínima, chegou a 49.668 pontos. O volume financeiro da sessão situava-se em 1,45 bilhão de reais. Nada animador foi o relatório do BofA ML publicado nesta terça-feira que traz como um dos subtítulos “Esqueça Bric, fique com IC”, em que os estrategistas recomendam a investidores em mercados emergentes que se concentrem em Índia e busquem oportunidades para aumentar a alocação em China, em vez de no Brasil e Rússia.

“Vemos desafios significativos para Brasil e Rússia nos próximos muitos meses”, escreveram no relatório os estrategistas de portfólio e renda fixa do BofA Merrill Lynch, Cheryl Rowan e Martin Mauro.

A trégua na queda dos preços do petróleo não era suficiente para contrabalançar a informação de que a Petrobras e seus principais executivos enfrentam ação movida pelo escritório de advocacia Wolf Popper LLP de Nova York, por suposto esquema de corrupção e fixação de preços de contratos.

As ações da estatal figuravam entre as maiores quedas do Ibovespa desde a abertura. O mercado também está na expectativa da divulgação do balanço não auditado da estatal, previsto para a sexta-feira. O resultado do terceiro trimestre foi adiado também por denúncias de corrupção.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, defendeu nesta terça-feira uma “eventual substituição” da diretoria da empresa, ainda que os atuais diretores não tenham culpa pelos casos de corrupção investigados na estatal. No caso de Vale , não ajudava a queda de quase 4 por cento apurada nos preços dos contratos futuros de minério de ferro nesta terça-feira, em meio a preocupações sobre excesso de oferta, tampouco notícia de que a China pode reduzir impostos para mineradoras do país.

Papéis do Banco do Brasil também sofriam nesta sessão, com queda de 1,6 por cento. Repercutia no mercado informação de coluna do site da Folha de S.Paulo de que o Planalto teria convidado o deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) para assumir uma vice-presidência no BB.

As ações da Eletrobras recuavam após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) negar nesta terça-feira pedido da empresa por revisão extraordinária da tarifa de repasse de potência de Itaipu em 2014. Ainda do noticiário corporativo, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) informou que a superintendência-geral do órgão de defesa da competição recomendou a impugnação da incorporação da transportadora ferroviária ALL pela Rumo Logística, do grupo Cosan.

Os papéis da ALL e da Cosan Log, contudo, avançavam nesta sessão, liderando as altas do Ibovespa, na contramão da tendência geral. Na véspera, data do parecer da superintendência que foi divulgado nesta terça-feira, ALL caiu 4,88 por cento e Cosan Log recuou 7,22 por cento.

As preferenciais da Oi tinham baixa de 0,8 por cento. A operadora confirmou na noite de segunda-feira acordo para venda dos ativos portugueses da Portugal Telecom ao grupo europeu Altice por 7,4 bilhões de euros, mas a transação que marcará o fim abrupto da fusão das duas empresas ainda precisa ser aceita por acionisas do grupo português.

Os papéis ON, que não estão no Ibovespa, cediam 0,78 por cento. Nos Estados Unidos, os futuros acionários do S&P 500 e do Dow Jones recuavam em meio a preocupações sobre o crescimento global, acompanhando o viés já adotado nos pregões europeus, onde a queda de papéis de energia ditavam a trajetória de baixa nos negócios.