Petrobras dita queda do Ibovespa, que anula ganhos no ano

O principal índice da Bovespa fechou em queda e zerou os ganhos acumulados neste ano, pressionado pela queda das ações da estatal

São Paulo – O principal índice da Bovespa fechou em queda nesta quinta-feira, voltando a zerar os ganhos acumulados em 2014, pressionado pela forte queda das ações da Petrobras.

A reação negativa no exterior a declarações do presidente do Banco Central Europeu corroborou o tom negativo.

O Ibovespa caiu 1,71 por cento, a 51.426 pontos. No ano, passou a mostrar variação negativa de 0,16 por cento, enquanto na véspera ainda apresentava desempenho positivo, com alta de 1,58 por cento.

O volume financeiro nesta sessão somou 5,44 bilhões de reais, novamente abaixo da média diária do ano. Petrobras guiou a queda do Ibovespa desde a abertura, em mais uma sessão de baixa do petróleo e após a Moody’s cortar o rating individual da empresa, medido pelo critério Baseline Credit Assessment (BCA), de Baa3 para Ba1, devido às investigações de corrupção.

No exterior, índices acionários recuaram após o presidente do BCE, Mario Draghi, relevar pressões por novas ações e dizer que a autoridade monetária da zona do euro vai reavaliar o impacto de seus estímulos monetários no início do próximo ano e tomar novas medidas se for necessário.

O europeu FTSEurofirst 300 caiu 1,37 por cento, maior queda diária em sete semanas. Em Nova York, o S&P 500 perdia 0,14 por cento, um dia após renovar cotação máxima. “O mercado está sentindo a falta de agressividade do BCE que, a despeito da piora prospectiva da economia e a baixa inflação, tem dificuldade em implementar novos estímulos”, disse o gestor Joaquim Kokudai, da Effectus Investimentos.

“No Brasil, há muito ruído fiscal, o governo continua se comunicando mal. O quadro só não está pior porque há ainda alguma esperança com a nova equipe econômica”, pontuou.

A decisão do Banco Central, da véspera, de intensificar o aperto monetário ao elevar a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, para 11,75 por cento ao ano, teve repercussão mista, sem um consenso sobre os sinais emitidos pela autoridade monetária em termos de comprometimento.

A necessidade de ainda precisar finalizar a votação do projeto que, na prática, desobriga o governo federal de realizar um superávit primário também trouxe desconforto. O Congresso aprovou na véspera o projeto que amplia os descontos da meta fiscal, mas faltou analisar uma última emenda.

“A não aprovação pode adiar os planos do novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy … Havia expectativa de que tudo seria aprovado ainda ontem (quarta-feira) e não foi, o que adiciona algum risco político e preocupa”, disse o operador de uma corretora em São Paulo, que pediu para não ser identificado.

A demora na aprovação, inclusive, atrasou a posse do novo ministro da Fazenda devido à necessidade de protegê-lo de ações legais e políticas por não atingir a meta fiscal. De acordo com fonte ouvida pela Reuters, a nova equipe econômica deve tomar posse na próxima semana.

Companhias

Uma relevante pressão negativa no Ibovespa veio de BRF, em queda de 2,46 por cento. O Goldman Sachs rebaixou a recomendação para o papel de “compra” para “neutra”, citando que agora vê espaço limitado de alta para as estimativas e preços do consenso, enquanto vislumbra riscos negativos.

Outros papéis de empresas exportadoras de carne também recuaram, como JBS e Marfrig. Há preocupações sobre demanda externa, particularmente da Rússia, que vinha ajudando o setor, conforme o rublo enfraquece por incertezas geopolíticas e cenário baixista para o petróleo.

As preferenciais de Vale caíram 1,65 por cento, mesmo com a alta de mais de 2 por cento do minério de ferro no mercado à vista na China. No caso da mineradora, o BofA ML cortou a recomendação para “neutra”.

Na ponta positiva, Usiminas subiu 1,4 por cento, após a Anfavea afirmar que os produtores de aço do Brasil estão informando fabricantes de autopeças do país sobre reajustes de preços da liga. A Usiminas é a maior fornecedora de aço para a indústria automotiva do país.

Gol também terminou entre as poucas altas do índice, ajudada pela queda no petróleo e recomendação de compra do Citi. “Compre e compre agora”, disse email do Citi enviado à tarde a clientes, avaliando que investidores parecem estar ignorando o potencial de alta para os múltiplos da empresa com a recente forte queda nos preços da commodity.

Vejas as maiores baixas e altas do Ibovespa nesta quinta-feira: BAIXAS Ação Preço(R$) Variação ROSSI RESID ON 3,33 -6,98% MARFRIG ON 5,64 -6,47% PETROBRAS ON 11,43 -4,75% SID NACIONAL ON 5,44 -4,23% ELETROPAULO PN 8,78 -4,04% PETROBRAS PN 12,23 -3,93% ELETROBRAS PNB 7,01 -3,44% GAFISA ON 2,58 -3,37% CIA HERING ON 21,54 -3,06% ALL AMER LAT ON 5,40 -3,05% ALTAS Ação Preço(R$) Variação GOL PN 14,11 +2,39% USIMINAS PNA 4,95 +1,43% EVEN ON 5,74 +1,06% SUZANO PAPEL PNA 10,86 +0,56% EMBRAER ON 22,99 +0,44% NATURA ON 33,25 +0,15%