Payroll melhor do que o esperado impulsiona dólar

Investidores correram para a moeda norte-americana em busca de proteção antes do fim de semana, em função dos receios de um possível ataque da Rússia à Ucrânia

São Paulo – O dólar fechou em alta nesta sexta-feira, 7, impulsionado pelos dados melhores do que o esperado sobre o mercado de trabalho nos EUA, que devem fazer com que o Federal Reserve mantenha sua trajetória de redução dos estímulos monetários.

Além disso, investidores correram para a moeda norte-americana em busca de proteção antes do fim de semana, em função dos receios de um possível ataque da Rússia à Ucrânia.

Além do payroll, o dólar também subiu em meio a relatos de saídas de recursos do país – embora não em volumes expressivos. O dólar à vista no balcão terminou o dia cotado na máxima de R$ 2,3490, com uma alta de 1,34% – maior alta em único dia desde 2 de janeiro.

Por volta das 16h30, o giro estava em torno de US$ 936,28 milhões, segundo dados da clearing de câmbio da BM&F Bovespa. No mercado futuro, o dólar para abril tinha valorização de 0,98%, a R$ 2,3625. O volume de negociação era de quase US$ 14,09 bilhões.

A economia dos EUA criou 175 mil empregos em fevereiro, acima da previsão de economistas consultados pela Dow Jones, que esperavam 152 mil novos postos de trabalho.

O dado de janeiro foi revisado para cima, para 129 mil, da leitura inicial de 113 mil, enquanto a criação de empregos em dezembro subiu para 84 mil, de 75 mil. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego subiu para 6,7% em fevereiro, quando a expectativa era de queda para 6,5%, após a marca de 6,6% em janeiro.

“Houve um ajuste geral nos mercados após o payroll, mas esta semana foi mais curta e só na próxima é que nós vamos ver como as coisas vão ficar mesmo. O fato é que o dólar deve oscilar entre R$ 2,30 e R$ 2,35, mesmo com a redução dos estímulos nos EUA”, comenta Luiz Carlos Baldan, diretor da Fourtrade Corretora.

Um operador de uma corretora acrescentou que parte dos ganhos do dólar também responde à piora dos resultados da balança comercial, mesmo com o início dos embarques da safra agrícola no mês passado.

O déficit da balança comercial em fevereiro foi de US$ 2,125 bilhões, o pior resultado para o mês de toda a série histórica, iniciada em 1994. No acumulado do primeiro bimestre de 2014, o saldo ficou negativo em US$ 6,183 bilhões, também o pior resultado para um primeiro bimestre da série.