Pavio curto na bolsa

Em uma semana de governo Temer, investidores já sinalizaram que não vai ser tão fácil assim agradá-los. Desde a quinta-feira 12, quando Temer assumiu a presidência, o Ibovespa caiu quase 5% e o dólar saiu dos 3,44 reais para os 3,60 reais. Antes disso, a alta do Ibovespa passava dos 20% no ano à espera do afastamento de Dilma. O que então mudou em uma semana?

No que dependia do governo, o silêncio de Henrique Meirelles, que ainda não anunciou nenhuma grande medida econômica, desanimou parte dos investidores. “A coletiva de Meirelles na terça-feira trouxe o anúncio de uma equipe econômica competente, mas já prevista. Agora, o mercado ainda espera o anúncio de medidas”, diz Rafael Ohmachi, analista da corretora Guide.

Além disso, o governo tem mostrado dificuldades para ajeitar a casa. Os ministros ainda não explicaram como pretendem resolver os problemas da Eletrobras, que teve suas ADRs suspensas na Bolsa de Nova York. O cálculo do déficit fiscal, que no governo Dilma era de 96,7 bilhões de reais, já passa dos 160 bilhões de reais e pode chegar aos 200. “O investidor está tendo um choque de realidade”, diz Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da corretora Nova Futura.

Lá fora, as coisa s também não andaram muito favoráveis esta semana. O preço das commodities voltou a cair, puxando para baixo ações como a da siderúrgica, que caiu 14% só nesta semana. Além disso, o banco central norte-americano sinalizou que pode aumentar a taxa de juros do país já nas próximas reuniões, caso a economia dos Estados Unidos continue mostrando dados fortes. Não foi só aqui, os índices americanos caíram mais de 3% desde quinta-feira passada. O pavio dos investidores, como mostraram essa primeira semana, está curto.