Para onde vai a JBS na bolsa?

O grupo J&F, dono do frigorífico JBS, começou a quarta-feira estampando as manchetes como protagonista do maior acordo de leniência da história — vai pagar 10,3 bilhões de reais em 25 anos. Ao final do pregão, as ações da JBS subiram 8,5%. Faz sentido? “O acordo foi recebido com alívio não só pelo prazo de pagamento como também porque agora fica mais fácil para o grupo J&F vender ativos e se concentrar na JBS”, diz Luis Gustavo Pereira, estrategista da corretora Guide.

Os valores serão corrigidos pelo IPCA e, nesse período, devem chegar a 20 bilhões de reais. A proposta anterior previa multa de 10,9 bilhões de reais, paga em 10 anos, com saldo indexado pela Selic. Após a notícia, não faltaram cálculos de quanto o acordo saiu barato para a J&F e, em consequência, para a JBS. Segundo informações do jornal Valor Econômico a J&F conseguiu obter, em dois dias, um desconto de cerca de 4 bilhões em relação à proposta original.

Mas a alta das ações da JBS pode não durar. O banco JP Morgan estimou, em relatório enviado a clientes, que cada bilhão de reais do acordo resultaria numa queda de 0,35 real no valor da ação da JBS. Segundo as contas do banco, portanto, a multa de 10,3 bilhões pode fazer com que a ação da companhia caia quase 50%. As informações são da coluna Primeiro Lugar da revista EXAME que chega às bancas nesta quinta-feira.

Ainda nesta quarta-feira a Comissão de Valores Mobiliários abriu dois novos inquéritos administrativos para aprofundar investigações já iniciadas em processos administrativos contra a JBS. Ao todo são oito processos abertos contra a companhia desde o dia 18 de maio. O jornal O Estado de S. Paulo estima que a maratona de processos, investigações e multas para a JBS podem chegar a 31 bilhões de reais. O montante é maior do que os 21 bilhões que a companhia vale na bolsa. A JBS também começa a sofrer boicote de consumidores e pecuaristas.

O ânimo dos investidores com a JBS pode não durar muito.