PANOROMA2-Dólar respira e segura NY; Petrobras levanta Bovespa

SÃO PAULO, 26 de outubro (Reuters) – O repique do dólar e
resultados corporativos mistos de gigantes globais pautavam o
movimento instável das bolsas nesta terça-feira, após Wall
Street ter feito o pico em mais de cinco meses na véspera, e
ditavam volatilidade aos ativos brasileiros

Desde a abertura, os mercados domésticos de juros, ações e
câmbio já haviam experimentado alta e baixa, na esteira de
dados econômicos do país e da expectativa dos investidores em
relação a possíveis medidas adicionais, no Brasil e no
exterior, para tentar conter a apreciação das principais moedas
ante o dólar.

Mas, apoiada em novo dia de recuperação da blue chip
Petrobras, a Bovespa descolava da fraqueza em Wall Street e seu
principal índice voltava a operar acima dos 70 mil pontos.

A agenda nacional incluiu a divulgação de que o Índice de
Preços ao Consumidor (IPC) de São Paulo teve alta de 1,03 por
cento na terceira quadrissemana de outubro, ante 0,96 por cento
na segunda [IDnN26101019].

As projeções futuras de juros chegaram a empinar, mas logo
refluíram, predominando a reação à afirmação do ministro da
Fazenda Guido Mantega, na véspera, de que o governo não estuda
reintroduzir o IR sobre ganhos de estrangeiros em renda fixa.

No câmbio, a moeda norte-americana, que chegou a abrir em
queda, reverteu para cima, de braços dados com a recuperação
global, após ter atingido novas mínimas na véspera. No
exterior, parte dos investidores passava a acreditar que o
dólar já caiu demais, mesmo que o Federal Reserve anuncie na
semana que vem mais flexibilização monetária para tentar
levantar a economia norte-americana.

Neste sentido, o anúncio de que a confiança do consumidor
dos EUA melhorou levemente em outubro favoreceu o ânimo dos
investidores. O Conference Board disse que o índice foi a 50,2
em outubro, ante dado revisado de 48,6 em setembro, mas
permaneceu em níveis muito baixos [ID:nN26116322].

Os principais índices de Wall Street oscilavam em torno do
zero, aliviando as perdas da abertura, em meio a dados mistos
de empresas. De um lado, pesavam os resultados decepcionantes
do banco suíço UBS e previsões pouco animadoras de
Texas Instruments e da ArcelorMittal ,
levantando ordens de realização de lucros. De outro, Ford
e DuPont

reportaram resultados acima das expectativas.

Na bolsa paulista, a blue chip Petrobras voltava
a se recuperar, conduzindo o Ibovespa para cima dos 70 mil
pontos. O setor bancário também dava força ao índice, após o
Banco Central anunciar que o crédito total disponibilizado pelo
sistema financeiro no Brasil, incluindo recursos livres e
direcionados, subiu 1,8 por cento em setembro [ID:nSAR002435].

Ainda na agenda macroeconômica, o Tesouro Nacional informou
que o governo central teve superávit primário de 26,057 bilhões
de reais em setembro. elevando o acumulado no ano para 55,707
bilhões de reais, o equivalente a 2,14 por cento do PIB
[ID:nN25282790].

Veja como estavam os principais mercados às 13h07 desta
terça-feira:

CÂMBIO

O dólar era cotado a 1,707 real, em alta de 0,35 por cento
frente ao fechamento anterior.

BOVESPA

O Ibovespa subia 0,75 por cento, para 70.101 pontos. O
volume financeiro na bolsa era de 2,1 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS

O índice dos principais ADRs brasileiros caía 0,1 por cento,
a 35.507 pontos.

JUROS

O DI janeiro de 2012 apontava 11,35 por cento ao ano, ante
11,41 por cento no ajuste anterior.

EURO

A moeda comum europeia era cotada a 1,3843 dólar,
ante 1,3963 dólar no fechamento anterior.

GLOBAL 40

O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40,
subia a 140,000 por cento do valor de face, oferecendo
rendimento de 2,177 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil cedia 5 pontos, para 173 pontos-básicos. O
EMBI+ tinha baixa de 7 pontos, a 245 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones perdia 0,17 por cento, a 11.144
pontos; o S&P 500 recuava 0,25 por cento, a 1.182
pontos, e o Nasdaq tinha declínio de 0,01 por cento, a
2.490 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo de vencimento mais próximo
tinha queda de 0,03 dólar, a 82,49 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos,
referência do mercado, avançava, oferecendo rendimento de
2,6066 por cento ante 2,567 por cento no fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no
terminal de notícias da Reuters pelo código )

(Texto de Aluísio Alves, com reportagem de Silvio Cascione
e Vanessa Stelzer; edição de Silvio Cascione)