PANORAMA3-Investidor adota prudência em dia de decisão da Selic

SÃO PAULO, 8 de dezembro (Reuters) – O comportamento do
mercado norte-americano de bônus motivou prudência entre
investidores internacionais, enquanto no Brasil as atenções se
voltaram para a decisão sobre a Selic no final desta
quarta-feira.

Especulações de que o Banco Central poderia elevar a taxa
básica já neste mês patrocinaram a elevação nos DIs, em meio a
mais sinais de que a inflação está ganhando terreno.

Mais cedo, o mercado soube que o Índice Nacional de Preços
ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,83 por cento em novembro,
taxa mais elevada desde abril de 2005, enquanto o Índice de
Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) avançou 1,14 por cento na
primeira prévia de dezembro, na mais forte elevação desde o
começo de fevereiro [ID:nN08132959].

No exterior, a cautela dos agentes se devia a temores de
que um acordo de extensão de incentivos fiscais nos Estados
Unidos afete as contas públicas do país, com a redução das
receitas podendo aumentar o já elevado déficit orçamentário dos
EUA.

“Esse acordo tributário é um desastre para a situação
fiscal dos Estados Unidos”, disse Howard Simons, estrategista
da Bianco Research, em Chicago.

Dessa forma, os agentes se desfaziam dos Treasuries, cujos
rendimentos dos contratos de 10 anos subiam à máxima em seis
meses, enquanto o dólar subia ante uma cesta de moedas .

A apreciação da divisa enfraquecia o petróleo e o ouro
, que caminhava para a maior queda diária em um mês.

A fraqueza dos metais abateu a Bovespa, que tinha um
desempenho bem mais fraco que as bolsas estrangeiras. Pouco
antes de fechar, o mercado em Wall Street também sentia os
efeitos do dólar valorizado, mas perspectivas de melhora no
quadro econômico mantinham os principais índices com ligeiro
ganho.

A crise na Europa ficou de lado nesta sessão, em meio ao
detalhamento pela Irlanda do Orçamento mais rigoroso que o país
já fez [ID:nN08121876]. Isso ajudou o mais importante índice de
ações do continente a fechar no pico em 26 meses.

Na pauta doméstica, o Banco Central informou que o Brasil
teve em ingressos líquidos 2,225 bilhões de dólares em
novembro. No entanto, as saídas de dólares superaram as
entradas em 1,241 bilhão de dólares nos três primeiros dias
deste mês [ID:nN08197983].

Veja a variação dos principais mercados nesta
quarta-feira:

CÂMBIO

O dólar terminou a 1,693 real, em alta de 0,65 por cento
frente ao fechamento anterior.

BOVESPA

O Ibovespa caiu 1,68 por cento, para 68.174 pontos. O
volume financeiro do pregão foi de 6,6 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS

O índice dos principais ADRs brasileiros recuava 1,14 por
cento, a 34.883 pontos.

JUROS

No call das 16h, o DI janeiro de 2012 apontava 12,07 por
cento ao ano, ante 12,04 por cento no ajuste anterior.

EURO

A moeda comum europeia era cotada a 1,3256 dólar, ante
1,3263 dólar no fechamento anterior.

GLOBAL 40

O título de referência dos mercados emergentes, o Global
40, cedia a 136,063 por cento do valor de face, oferecendo
rendimento de 2,733 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil subia 1 ponto, para 163 pontos-básicos. O
EMBI+ avançava 3 pontos, a 229 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

A alguns minutos do fechamento, o índice Dow Jones
caía 0,02 por cento, a 11.357 pontos; o S&P 500 subia
0,19 por cento, a 1.226 pontos, e o Nasdaq 0,28 por
cento, a 2.605 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo de vencimento mais próximo
caía 0,32 dólar, ou 0,36 por cento, a 88,37 dólares por
barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos,
referência do mercado, tinha queda, oferecendo rendimento de
3,2436 por cento ante 3,141 por cento no fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no
terminal de notícias da Reuters pelo código )

(Por José de Castro; Edição de Aluísio Alves)