PANORAMA3-Fed mantém mercado cauteloso; Petrobras ajuda Bovespa

SÃO PAULO, 26 de outubro (Reuters) – Incertezas sobre a
quantidade de estímulos que o Federal Reserve pode injetar na
economia fizeram o dólar subir nesta terça-feira. Embora poucos
duvidem que o banco central norte-americano irá anunciar planos
de comprar mais títulos, alguns no mercado começam a ficar
cautelosos com a possibilidade de o Fed ser mais comedido que o
imaginado inicialmente.

No Brasil, a moeda norte-americana copiou o movimento
externo, mantendo-se acima de 1,70 real pela terceira sessão
consecutiva. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles,
disse que é preciso ver os efeitos das ações já tomadas, como o
aumento do IOF sobre aplicações de estrangeiros, antes de
estudar novas medidas [ID:nN26146812].

As recentes ações do governo para brecar a valorização do
real alongaram o caminho para que a divisa brasileira se torne
uma moeda totalmente conversível, na visão de analistas
[ID:nN26126321].

A Bovespa descolou da fraqueza das bolsas nova-iorquinas e
avançou, amparada pela forte valorização de Petrobras
. Profissionais atribuíram a performance
ao preço baixo dos papéis, que atraíram compradores após uma
enxurrada de relatórios de bancos rebaixando a recomendação da
pretrolífera [ID:nN26136734].

Nos EUA, a alta do índice de confiança do consumidor
norte-americano medido pelo Conference Board chegou a oferecer
algum alento às ações, mas a prudência antes das eleições no
país e balanços corporativos mistos prevaleceram.

A temporada de balanços europeia também não traçou um
quadro animador. O UBS registrou prejuízo em sua
unidade de investimento, derrubando o principal índice de ações
do continente . A queda nos preços de moradias nos EUA
em agosto também pesou.

A pauta doméstica contou com o superávit recorde do governo
central em setembro. O saldo positivo ficou em 26,057 bilhões
de reais, inflado pelos ingressos advindos com a capitalização
da Petrobras. Também no mês passado, o crédito total no país
aumentou 1,8 por cento [ID:nN26115529] [ID:nN26133557].

Tais dados favoreceram a baixa nos DIs da BM&FBovespa, com
o mercado demonstrando também menos receio com a possibilidade
de o governo acabar com a isenção do Imposto de Renda sobre
ganhos de estrangeiros em renda fixa.

Da agenda internacional, o crescimento de 0,8 por cento da
economia britânica no terceiro trimestre foi duas vezes maior
que o esperado, diminuindo chances de o banco central do país
adotar mais estímulos econômicos [ID:nN26112344].

Veja como terminaram os principais mercados nesta
terça-feira:

CÂMBIO

O dólar fechou a 1,706 real, em alta de 0,29 por cento em
relação ao fechamento anterior.

BOVESPA

O Ibovespa subiu 1,67 por cento, a 70.740 pontos. O volume
financeiro na bolsa foi de 7,03 bilhões de reais.

ADRs BRASILEIROS

O índice dos principais ADRs brasileiros avançou 0,75 por
cento, a 35.812 pontos.

JUROS

O DI janeiro de 2012 apontava 11,34 por cento ao ano no
call das 16h, ante 11,41 por cento no ajuste anterior.

EURO

A moeda comum europeia era cotada a 1,3857 dólar, ante
1,3963 dólar no fechamento anterior nas operações
norte-americanas.

GLOBAL 40

O título de referência dos mercados emergentes, o Global
40, recuava para 140,063 por cento do valor de face, oferecendo
rendimento de 2,166 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil caía 6 pontos, a 172 pontos-básicos. O EMBI+
cedia 9 pontos, a 242 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

O índice Dow Jones teve oscilação positiva de 0,05
por cento, a 11.169 pontos, e o S&P 500 fechou estável,
aos 1.185 pontos. O Nasdaq Composite subiu 0,26 por
cento, aos 2.497 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo com vencimento mais curto
registrou oscilação positiva de 0,03 dólar, a 82,55 dólares por
barril.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos,
referência do mercado, cedia, oferecendo rendimento de 2,643
por cento ante 2,567 por cento no fechamento anterior.

(PANORAMA1, PANORAMA2 e PANORAMA3 são localizados no
terminal de notícias da Reuters pelo código )

(Por José de Castro; Edição de Daniela Machado)