PANORAMA3-Bolsas e euro repetem queda ao fim de mês negativo

Por José de Castro

SÃO PAULO, 30 de novembro (Reuters) – As praças financeiras
globais experimentaram mais um dia de perdas nesta terça-feira,
ainda em meio a temores de contágio dos problemas na Irlanda a
outras nações da zona do euro.

Os mercados terminaram novembro avessos a ativos
considerados de maior risco, após um mês em que as preocupações
com a situação fiscal em países europeus recrudesceram, mesmo
após o acerto no último final de semana de um pacote de ajuda a
Dublin no valor de 85 bilhões de euros.

Investidores esperam que Portugal seja a próxima nação a
pedir socorro à União Europeia (UE), embora as autoridades em
Lisboa neguem a necessidade de ajuda. Há aqueles que acreditam
ainda que a Espanha também precise de auxílio para reorganizar
suas finanças.

O temor de contágio mirou inclusive os bônus italianos e
franceses, que viram os spreads de seus rendimentos na
comparação com o oferecido pelos títulos alemães alcançarem as
máximas recordes desde a criação do euro.

Nesse contexto, o principal índice de ações do velho
continente teve a maior queda mensal desde maio,
enquanto o euro caminhava para uma performance semelhante. Vale
lembrar que maio foi o mês em que a Grécia recebeu 110 bilhões
de euros em ajuda internacional.

Impulsionado pela fraqueza da moeda única europeia, o dólar
subia 0,5 por cento ante uma cesta de divisas ,
alcançando o maior nível em mais de dois meses. O mau humor
contamimou as bolsas de valores em Nova York, embora as ações
tenham reduzido as perdas no final. Dados benignos sobre a
economia norte-americana favoreceram a recuperação.

A confiança do consumidor dos EUA subiu ao maior nível em
cinco meses em novembro, mês em que a atividade empresarial do
Meio-Oeste do país cresceu mais rápido que o esperado, dando
mais evidências de que a retomada da economia do país está
ocorrendo [ID:nN30285103].

A Bovespa seguiu a fraqueza em Wall Street e terminou em
queda, pressionada pelas ações da própria bolsa ,
após a Receita Federal autuar a empresa por uma dívida de 410
milhões de reais em tributos que não teriam sido recolhidos em
2008 e 2009 [ID:nN30268141].

Mas o dólar destoou da aversão a risco externa e recuou
ante o real, refletindo ajustes de posições característicos de
final de mês. Enquanto isso, as projeções de juros cederam,
dando uma pausa após recentes altas por expectativas de piora
na inflação e de aumento da Selic.

Na pauta doméstica, o setor público registrou superávit de
9,7 bilhões de reais em outubro, menor saldo positivo para o
mês desde 2005, de acordo com o Banco Central [ID:nN30260880].
Também as vendas reais dos supermercados brasileiros cresceram
3,8 por cento em outubro na relação com o mesmo mês no ano
passado, informou a Associação Brasileira dos Supermercados
(Abras) [ID:nN30260323].

Veja a variação dos principais mercados nesta terça-feira:

CÂMBIO

O dólar terminou a 1,714 real, em queda de 0,58 por cento
frente ao fechamento anterior. Em novembro, a moeda acumulou
alta de 0,65 por cento

BOVESPA

O Ibovespa recuou 0,3 por cento, para 67.705 pontos. O
volume financeiro na bolsa foi de 10,12 bilhões de reais. O
índice registrou baixa de 4,2 por cento neste mês.

ADRs BRASILEIROS

O índice dos principais ADRs brasileiros caía 0,85 por
cento, a 34.053 pontos.

JUROS

O DI janeiro de 2012 apontava 11,97 por cento ao ano, ante
12,05 por cento no ajuste anterior.

EURO

A moeda comum europeia era cotada a 1,3110 dólar, ante
1,3118 dólar no fechamento anterior.

GLOBAL 40

O título de referência dos mercados emergentes, o Global
40, subia a 137,125 por cento do valor de face, oferecendo
rendimento de 2,571 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS

O risco Brasil avançava 1 pontos, para 192 pontos-básicos.
O EMBI+ tinha alta de 5 pontos, a 271 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA

A alguns minutos do fechamento, o índice Dow Jones
recuava 0,25 por cento, a 11.024 pontos; o S&P 500 caía
0,48 por cento, a 1.182 pontos, e o Nasdaq cedia 1,05
por cento, a 2.498 pontos.

PETRÓLEO

Na Nymex, o contrato de petróleo de vencimento mais próximo
recuou 1,62 dólar, ou 1,89 por cento, a 84,11 dólares por
barril. Em novembro, os futuros da commodity subiram 2,68
dólares, ou 3,29 por cento.

TREASURIES DE 10 ANOS

O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos,
referência do mercado, tinha leve alta, oferecendo rendimento
de 2,8169 por cento ante 2,826 por cento no fechamento
anterior.