Panamericano voltará a captar com FIDCs

Depois de enfrentar R$ 600 mi em resgates dos atuais fundos de investimentos em direitos creditórios, diretor volta a avaliar emissões

São Paulo – O Panamericano (BPNM4) deve voltar a emitir em breve novos fundos de investimentos em direitos creditórios (FIDCs) para comprar carteiras do banco. “Novos FIDCs não estão descartados e estamos analisando. Podem até ser fechados. No primeiro trimestre ainda não, mas a partir daí sim porque é uma alternativa muito rápida”, explica Celso Zanin, diretor de relações com investidores do banco, para EXAME.com, na primeira entrevista após ter assumido o cargo em meio às acusações de fraudes na área de concessões de crédito de automóveis.

O executivo, oriundo da Caixa Econômica Federal onde comandava a área de superintendente nacional de produtos e ativos de terceiros, ressalta que o Panamericano tem ido ao mercado com a oferta de CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) e DPGE (Depósitos a Prazo com Garantia Especial). “As captações são diárias e alguns vencimentos renovamos ou substituímos CDBs por DPGEs”, afirma. Zanin, que lidera uma equipe de 70 pessoas na área de captação, explicou ainda que precisou enfrentar momentos complicados nos primeiros dias que seguiram ao anúncio de sua nomeação em novembro do ano passado.

Os dois FIDCs ativos hoje, o Autopan e o Master Panamericano, que tinham um patrimônio líquido de 2,616 bilhões de reais, tiveram uma expressiva redução com os resgates. No último dia 19 o PL já tinha se reduzido para 2,150 bilhões de reais. Segundo Zanin, ao considerar a valorização das cotas, os saques podem ter ultrapassado os 600 milhões de reais. “Não deixamos de pagar nenhum dos resgates, que nos primeiros dias tiveram um volume fora do normal. Para ter dinheiro em caixa o banco comprou alguns contratos vencidos do fundo”, afirma.

Zanin não especifica se o dinheiro usado para cobrir os resgates são os mesmos recursos que entraram com o aporte do controlador após o empréstimo concedido pelo Funda Garantidor de Crédito (FGC). “É difícil agora identificar cada centavo que saiu ou entrou do caixa nesses dias. Os resgates foram pagos com o dinheiro que tinha em caixa do FIDC, com a alternativa de recompra dos contratos com o caixa do banco”, afirma. O executivo explica que a proposta de mudança no administrador do fundo da Panamericano DTVM para a Caixa ajudou a acalmar os cotistas.

“Agora, o Panamericano cede o recebível e o responsável pela administração é a Caixa. A controladoria é o Itaú. Fica mais bem visto pelo mercado quando você separa os atores. Não que tenha problema e é permitido pela CVM”, destaca. Segundo Zanin, a transferência de administração deve ocorrer já nas próximas semanas.

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