Os últimos anos tumultuados de Microsoft e Nokia na Nasdaq

Empresas roubam a cena no pregão desta terça-feira após fecharem um negócio de 7,2 bilhões de dólares

São Paulo – Os últimos dias têm sido agitados para a Microsoft na bolsa americana Nasdaq. Na semana passada, o anúncio de que seu CEO, Steve Ballmer, deixará o comando da empresa nos próximos 12 meses levou os papéis da empresa a uma valorização de 9% durante o pregão.

Hoje, os acionistas acordaram com a notícia de que a Nokia caiu nos braços da Microsoft, aceitando a venda de suas operações com celulares para a gigante norte-americana por 5,44 bilhões de euros, ou 7,2 bilhões de dólares.

Enquanto o mercado ainda digeria e projetava os efeitos deste negócio, as ações da Microsoft amargavam o terreno negativo, perdendo 5%.

Enquanto isso, a disparada de 46% dos papéis da Nokia impulsionava os papéis de tecnologia e ajudava os mercados europeus a alcançarem máxima em uma semana.

A Nokia era a empresa que adicionava mais pontos ao FTSEurofirst 300 e ajudava o índice de tecnologia STOXX Europe 600 a subir cerca de 3%, liderando todos os outros setores após o acordo entre as duas companhias.

“Estamos em um ambiente de crescente fantasia de fusão com certeza, já que as condições econômicas estão melhorando, as empresas estão com dinheiro e as taxas de juros estão muito baixas”, disse o estrategista de ações do UniCredit, Christian Stocker.


Gigantes da bolha

Microsoft e Nokia sofreram com os impactos da bolha das empresas ponto com, ou bolha da internet, ocorrida no final da década de 90, quando companhias de tecnologia da informação mais que dobraram de valor de mercado.

Ao final de 1999, cada ação da Microsoft, por exemplo, valia aproximadamente 60 dólares, praticamente o mesmo patamar dos papéis da finlandesa, ambos valores levados às alturas em meio a grande onda especulativa da época.

Em março de 2000, o índice Nasdaq, atualmente em 3.600 pontos, havia dobrado de valor em menos de um ano e atingia os 5.132 pontos.

Não demorou muito para abolha estourar, levando as ações da Microsoft a depencarem 63% no ano 2000, enquanto a Nokia perdia 43% de seu valor de mercado na época.

No entanto, ano depois, o pior ainda estava por vir. Quando a explosão da crise financeira aconteceu, em 2009, Bill Gates e todo o mercado assistiram aos papéis despencarem até os modestos 16,15 dólares.

De lá pra cá, assim como a maioria das grandes empresas listadas, a Microsoft mostrou recuperação, avançando 96%.

Com a Nokia, a história foi diferente. Após o forte abalo financeiro da última grande crise, a empresa despencou 65% em valor de mercado na Nasdaq e, desde então, mostra dificuldades para ser aquela Nokia dos não tão velhos tempos.

O desempenho das ações da Microsoft nos úlitmos três anos: