Os sinais do novo Fies

A espera para milhares de estudantes – e para grandes grupos de ensino – acabou. Nesta terça-feira começam as inscrições para 150.000 novas vagas de contratos do financiamento estudantil Fies. Ontem, o Ministério da Educação anunciou que o crédito terá teto de 30.000 no semestre, com valor máximo de 5.000 reais para cada mensalidade. No ano passado, o teto era 42.000 reais – com mensalidade de até 7.000 reais.

O novo teto vem como uma surpresa e um sinal do “Novo Fies” que o governo quer criar. Segundo o secretário de acompanhamento econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, o governo vai apresentar uma nova versão do programa na segunda quinzena de março. As mudanças devem visar sobretudo reduzir a inadimplência do programa. O Fies, que foi concebido para ter inadimplência média de 10%, tem entre 30% e 40% de seus 1,9 milhão de financiamentos com calote, segundo o próprio Almeida.

As mudanças podem impactar diretamente os lucros de grandes grupos de educação, como Kroton e Estácio (que estão em processo de fusão), Anima e Ser Educacional que tiveram crescimentos absurdos principalmente por causa do programa. Segundo relatório do TCU, entre 2010 e 2015, período de maior expansão Fies, o lucro da Kroton subiu 22.130%, o da Anima 820%, da Estácio 565% e da Ser Educacional, 483%.

A Kroton tem ainda outro problema pela frente. Na última sexta-feira a Superintendência do Conselho de (Cade) recomendou que o Tribunal rejeite a compra da Estácio pela Kroton em um parecer que foi considerado duro. ““Trata-se de uma operação que não pode ser aprovada sem restrições, sendo pertinente indagar, inclusive, se é possível sua aprovação mesmo com alguma eventual restrição”, diz um trecho do documento. A fusão agora será decidida pelo plenário do Cade.