Os melhores gestores do Brasil mostram onde investir

Veja as dicas dos especialistas para investimentos em renda fixa e variável

Sobe-e-desce na Bolsa, inflação, alta de juros. A mudança de clima no mercado financeiro gerou um novo panorama para os investimentos, que até então seguiam embalados pelos fortes lucros proporcionados pelas ações. Após cinco anos de euforia, chegou a hora dos investidores repensarem suas estratégias, reposicionando suas carteiras. Para tornar essa tarefa menos árdua, o Portal EXAME conversou com os melhores especialistas em finanças do país, eleitos pelo Guia Exame de Investimentos Pessoais 2008. Veja o que eles têm a dizer.

Ações

Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central e sócio da Rio Bravo Investimentos

“Agora que as ações estão baratas, é o momento certo de se aplicar em bolsa. Para o investidor comum, o melhor é não inventar muito, preferir o que é mais simples. Ações da Vale e da Petrobras, por exemplo, são boas opções. Fuja de conselhos de amigos que sugerem papéis de baixa liquidez. Quem quiser correr um pouco mais de risco, melhor entrar num fundo de ações. As estatísticas mostram que bolsa é um bom investimento no longo prazo. Às vezes é difícil acreditar porque oscila muito, mas isso é natural.

Nos últimos tempos percebemos que a crise bancárias não está restrita aos Estados Unidos, mas também terá impacto na economia européia. O enfraquecimento do euro, e conseqüente fortalecimento do dólar, fez despencar o preço das commodities, que são cotadas em dólar. Há, ainda, o suposto desaquecimento da China. Mas creio que o tempo para essa crise se esgotar virá com a chegada de um novo presidente nos Estados Unidos, que terá como pano de fundo o fortalecimento do dólar. É possível que haja uma perda de fôlego, mas Índia e da China devem manter as commodities em patamares elevados.”

Ricardo Martins, gerente de pesquisa da corretora Planner, eleito o analista do ano

“A Bolsa ainda deve passar por mais turbulências neste ano e em 2009. A crise americana continua influenciando o mercado e houve um contágio na Ásia e na Europa. É possível que haja uma recuperação até o final do ano, mas ainda deve ter muito sobe-e-desce pela frente.

Os setores mais promissores são aqueles que o Brasil ainda precisa desenvolver e, para tanto, necessita de investimentos. Um exemplo é o de infra-estrutura, principalmente no que diz respeito a energia elétrica. O setor bancário, apesar de contabilizar uma certa perda de rentabilidade, também é interessante, devido a sua expertise. Bradesco e Itaú pagam dividendos mensais, o que é um conforto para o investidor.

A Petrobras, mesmo com toda essa discussão em relação ao pré-sal, é uma empresa que vale a pena, já que detém uma tecnologia espetacular. As ações vão continuar voláteis, acompanhando as notícias em relação a essa questão do pré-sal, mas não deixa de ser um bom investimento no longo prazo. Assim como a Petrobras, a Vale é uma das grandes empresas da Bolsa, e sempre estará na mira dos investidores.

Renda fixa

Bolivar Tarragó Moura Neto, vice-presidente de Ativos de Terceiros da Caixa Econômica Federal, eleita a melhor gestora de fundos de renda fixa

“Os fundos DI acompanham a evolução dos juros, enquanto os de renda fixa dependem da expectativa dos juros no futuro. Nós acreditamos que a taxa deve continuar subindo até o final do ano e depois passe por um período de estabilidade, voltando a cair mais para frente. Isso acontecendo, haverá um impacto positivo nos fundos de renda fixa. Já os DI, devem ter um desempenho um pouco inferior, já que eles acompanham os juros.

Por isso, quem tem condições de manter o dinheiro aplicado por um longo período e acredita nesse cenário de queda dos juros, deve optar pelos fundos de renda fixa. O DI é mais indicado em caso de aplicações no curto prazo ou se o investidor acreditar que os juros não vão cair no futuro.”

Fábio Faria, diretor de Asset Management do Crédit Agricole, vencedor da categoria especialista – renda fixa

“Os títulos públicos atrelados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foram bastante beneficiados pela alta dos preços nos últimos meses. Na tentativa de conter o surto inflacionário, o governo elevou os juros, impulsionando também os fundos de renda fixa. Para os investidores mais conservadores, os fundos DI são os mais indicados. Já quem tem um pouco mais de tolerância a risco pode optar pelos fundos de renda fixa, que utilizam algumas estratégias para tentar potencializar seus ganhos. É importante notar, entretanto, que os fundos de renda fixa também podem apresentar diferentes graus de risco. Aqueles que contam com uma maior participação de títulos de crédito de empresas, por exemplo, serão mais arriscados que aqueles que aplicam somente em títulos públicos. Por isso, o investidor deve se preocupar com a composição de seu fundo e também com a taxa de administração cobrada.”

Multimercados

Carlos Henrique Mussoline, diretor de Administração de Carteiras do Itaú, eleito o gestor do ano e o melhor em fundos multimercados

“Os fundos multimercados apresentam diversos níveis de risco. E quanto maior o risco, maior a rentabilidade que o fundo pode obter. Os alavancados são mais arriscados, já que podem investir mais que o próprio patrimônio.

Independentemente do cenário estar ou não favorável, os multimercados podem trazer bons resultados para os investidores. Tudo vai depender da habilidade do gestor na seleção dos ativos que irão compor a carteira do fundo. Ele pode arriscar, por exemplo, que a Bolsa vai cair e, assim, negociar no mercado futuro.

No ano passado, os multimercados tiveram maus resultados porque somente os gestores que tinham capacidade técnica para aproveitar cenários ruins conseguiram ganhar dinheiro. Por isso, o segredo é saber escolher o bom gestor. O investidor deve analisar o histórico do fundo nos últimos três anos antes de aplicar.”

Herculano Alves, diretor de Renda Variável da Bradesco Asset Management, vencedora da categoria fundos alavancados

“Antes de investir em um fundo alavancado, o investidor deve avaliar sua propensão a risco. Eu recomendaria a aplicação para quem conhece o mercado acionário e já investiu em fundos de ações.

A aplicação deverá acontecer quando for identificada uma tendência definida de alta, porque na medida em que o fundo alavanca, o investidor terá ganhos acima do Ibovespa. Por outro lado, em momentos de alta volatilidade, como agora, esse tipo de fundo pode sofrer mais que o mercado.  

O investidor pode aproveitar a baixa da Bolsa para fazer pequenas aplicações, de forma que no decorrer do tempo, ele consiga aproveitar melhor a retomada dos negócios. No entanto, vale lembrar que ainda há muitas variáveis influenciando a Bolsa e, por isso, é provável que o mercado permaneça instável nos próximos meses. A participação dos fundos alavancados na carteira do investidor não deve ultrapassar 10%.”

Fundos cambiais

Marcelo Marques Pacheco, gerente-executivo da BB DTVM, campeã das categorias fundos cambiais e fundos de atacado

“Os fundos cambiais são indicados para todos os investidores que têm planos em moeda estrangeira, como uma viagem ou cursos no exterior, e também para aqueles que possuem dívida em dólar ou euro. Neste caso, o fundo será uma proteção contra as variações da moeda.

Para os investidores que querem ter lucro no curto prazo, os fundos cambiais são hoje uma alternativa. O dólar já encontrou seu fundo do poço e a tendência é de uma leve subida nos próximos meses. As commodities, que são os principais produtos de exportação do Brasil, começaram a cair de preço e isso leva a uma menor entrada de dólares no país.

Mas é muito difícil apostar contra uma moeda que paga juros tão altos como é o caso do real. Nós não aconselhamos esse tipo de investimento para investidores conservadores e para aqueles que não têm tempo de acompanhar o mercado. Além disso, como não há sinais de crise no curto prazo, os ganhos não devem ser muito elevados.”