Novela Redecard e Itaú se arrasta sem detalhes

Mercado cobra mais detalhes das relações comerciais entre as empresas

São Paulo – Os acionistas da Redecard (RDCD3) aguardavam ansiosos pelo novo relatório de avaliação dos seus papéis com o objetivo de aumentar o valor da oferta lançada pelo Itaú em fevereiro deste ano por 35 reais para cada ação. Mas o resultado não foi o esperado. O laudo publicado pelo Credit Suisse, a pedido dos minoritários liderados pelo Lazard, chegou a uma faixa de preços apenas 1,4% superior à primeira avaliação realizada.

O intervalo estimado pelo CS ficou entre 34,66 reais e 38,12 reais, enquanto que o realizado pela Rothschild & Sons, contratada pelo banco, estimou um valor entre 34,18 reais e 37,59 reais. O Itaú então reiterou a proposta inicial que avalia a segunda maior processadora de cartões de crédito do Brasil em 11,8 bilhões de reais, atrás da Cielo (CIEL3). A maioria dos sete analistas consultados por EXAME.com sugerem a participação na oferta, mas pedem um nível maior de detalhes das relações comerciais entre as empresas.

Confira abaixo um trecho de cada análise:

Excessivamente conservadora

HSBC Global Research – Paulo E. Ribeiro

“Reiteramos nossa classificação de OW para as ações RDCD3, com PA de R$39, com base em um modelo FCD [Fluxo de Caixa Descontado] de oito anos. Acreditamos que a avaliação do CS foi excessivamente conservadora em termos do crescimento do volume de cartões de crédito e débito e quanto à receita financeira gerada pela antecipação de recebíveis”.

Não venda!

Santander – Henrique Navarro e Renato Schuetz 

“Com essa situação em vista, retornamos a nosso cenário original de que o Itaú não pode arcar com mais um ano de espera, pois seria um tempo excessivamente longo para seus planos de integração. Continuamos a acreditar que, na data do leilão, os investidores terão a oportunidade final para pressionar por um preço ligeiramente mais alto que os R$35,00 por ação. Mantemos nossa posição de “não vender a R$35,00”.

Preço é justo

Deutsche Bank – Mario Pierry , Marcelo Cintra e Tito Labarta 

“Acreditamos que os acionistas não têm muitas opções com o preço da oferta a 35 reais dentro do intervalo tanto da Rothschild quanto do Credit Suisse, e continuamos a acreditar que o preço é justo. Esperamos que o acordo seja completado em agosto/setembro, pois o Itaú precisa enviar um esboço do edital para a CVM”.


Melhor aceitar

J.Safra – Francisco Kops e Rafael Ferraz

“Como o preço médio do relatório apontou para R$ 36,39/ação, acreditamos que haja uma possibilidade dos acionistas minoritários pedirem para o Itaú aumentar sua oferta inicial, porém, não vemos esse cenário como o mais provável. Na verdade, achamos que os acionistas minoritários devem agora aceitar o valor de R$ 35,00/ação, não correndo o risco da oferta ser cancelada. Embora a Redecard seja um ativo valioso para o Itaú, não vemos o banco aumentando significativamente sua oferta inicial”

Melhor aceitar 2

Fator Corretora – Jacqueline Lison

“O laudo não contempla quaisquer mudanças na relação comercial entre Itaú Unibanco (controlador) e Redecard. Acreditamos que, em função do resultado do novo laudo, cuja faixa de preços é apenas 1,4% superior à primeira avaliação realizada, o Itaú deve reafirmar o preço da oferta em R$ 35,00/ação e as chances de aprovação da OPA aumentaram. Continuamos com nossa recomendação de adesão à oferta”.

Itaú precisa dar mais detalhes

JPMorgan – Saul Martinez, Domingos Falavina e Christopher Delgado 

“Se o menor ponto do intervalo do preço tivesse ficado acima dos 35 reais da oferta então o Itaú precisaria ou deixar a operação ou elevar a proposta para ao menos o nível mais baixo (e já reafirmou que não irá ofertar acima dos 35 reais). Entretanto, isso se tornou um ponto discutível. Agora, acreditamos que a oferta poderá acontecer nos próximos meses, mas esperamos conseguir mais detalhes do Itaú em específicos horizontes de tempo”.

Oferta deverá se concretizar

Ágora Corretora – Aloisio Villeth Lemos

“Acreditamos que a oferta deverá se concretizar, porém é importante ressaltar que para que isso ocorra é necessário que dois terços dos acionistas minoritários estejam de acordo com o fechamento de capital. O papel reagiu positivamente a essa notícia no pregão de segunda-feira, dada à alta percepção de que a oferta será bem sucedida, provocando um ajuste na cotação que vinha sendo praticada para RDCD3”