O que esperar das ações da Petrobras após o balanço

Tarefa de projetar resultados trimestrais da Petrobras ficou mais difícil, segundo estrategista-chefe da SLW

São Paulo – Nesta sexta-feira, no fim do dia, a Petrobras (PETR3) (PETR4) divulga seu balanço do terceiro trimestre. O impacto dos números fica para a segunda-feira – há quem acredite que um resultado (ruim) já está precificado.

“Não acho que o mercado está preocupado com o resultado de curto prazo, de certa forma, está dado. O reajuste nos combustíveis afetaria mais”, afirmou Celson Plácido, analista da XP Investimentos. Para o analista, o mercado sabe que não será um resultado bom, apesar de ser um trimestre sazonalmente mais forte. “Não esperamos bons resultados na comparação com o trimestre anterior e com o mesmo de 2012. Mas isso está dado, a ação vem sofrendo em outubro”, afirmou.

Para Pedro Galdi, estrategista-chefe da SLW Corretora, a tarefa de projetar resultados trimestrais da Petrobras ficou mais difícil para os analistas quando a empresa passou a utilizar um mecanismo de antecipação de receitas futuras com exportação.

No segundo trimestre, o mercado esperava um prejuízo de 5 bilhões de reais e viu um lucro de 6 bilhões de reais – com o uso desse mecanismo, segundo Galdi. A expectativa do mercado para o trimestre é de um lucro líquido na faixa de 5 a 6 bilhões de reais no terceiro trimestre, segundo o estrategista.

Os motivos para o desânimo com o balanço esbarram na falta de paridade entre os preços da gasolina no Brasil e no exterior (os preços mais elevados fora do país pesam nas importações da estatal). Por isso, a Planner espera um resultado “apenas razoável” da Petrobras no terceiro trimestre. A corretora acredita que o resultado não será melhor por causa do aumento de importações e defasagem de preços, mas vê que o mercado de combustíveis continua aquecido no país. A indicação para a ação é de compra com preço justo de 23 reais por ação (PETR4).

Já o Citi, acredita que o balanço do terceiro trimestre vai mostrar resultados mais baixos. A combinação da importação de combustíveis com a diferença do preço doméstico para a paridade internacional deve levar a um ebitda 20% menor na comparação trimestral e também, provavelmente, fazer com que a empresa rompa a meta auto imposta de ter uma relação de 35% entre dívida e patrimônio, com pouca visibilidade de como ou quando isso será recuperado, segundo relatório de 30 de setembro assinado por Pedro Medeiros e Fernando Valle.


Plácido aponta dois gatilhos para o papel: o leilão de Libra e um possível aumento no preço dos combustíveis. Após o leilão, na segunda-feira, as ações ordinárias chegaram a subir 5%, e as preferenciais, 4,24%. O mercado viu como positiva a participação da Petrobras no consórcio (40%) e a presença de empresas como a Shell e a Total.

“Agora se justifica a Petrobras pleitear um reajuste de combustíveis”, disse Plácido, tendo em vista os investimentos que a estatal terá que fazer na operação. Para a economia, o ideal seria um reajuste do diesel e não da gasolina, em decorrência do impacto dela no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o indicador oficial de inflação, segundo Plácido. “Olhando pela parte macro, nosso economista-chefe acha que não deveria dar reajuste (nos combustíveis), olhando pelo leilão e quanto a empresa pode precisar de caixa faz todo sentido dar o reajuste”, disse o analista.