O pior passou? As expectativas para a bolsa e o dólar em setembro

Ibovespa chega ao último dia de agosto com queda acumulada de 2,3% no mês; dólar bateu nos 4,17 reais após nova intervenção do Banco Central

O caótico mês de agosto termina com perspectivas relativamente positivas para a economia brasileira e com a bolsa mais uma vez no patamar dos 100 mil pontos. Quanto tempo vai durar o bom humor?

Ontem, os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostrando um crescimento de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no segundo trimestre de 2019 surpreenderam analistas. O Ibovespa subiu 2,37%, e terminou o dia a 100.524,43 pontos, mas ainda acumula queda de 2,3% em agosto. Parte desta diferença será tirada nesta quinta-feira? No ano, o índice ainda acumula alta de 10,4%, embora esteja ainda cinco pontos abaixo da alta de 15% que acumulou até o início de julho.

Uma das grandes dúvidas, daqui para a frente, é se o governo conseguirá retomar a agenda positiva que fez investidores se animarem com o Brasil até a aprovação da reforma da Previdência na Câmara no dia 7 de agosto. De lá para cá, porém, predominaram as notícias ruins dentro e fora do Brasil, com a escalada na guerra comercial, as incertezas sobre o Brexit e sobre a Argentina e a pressão internacional sobre as queimadas na Amazônia.

Setembro começa com analistas de volta à calculadora para revisar as projeções de crescimento da economia brasileira — as previsões do boletim Focus publicadas na segunda-feira são de avanço de 0,8% do PIB em 2019. Agora, porém, já se fala em avanço semelhante ao do ano passado, de 1,1%. Outra grande dúvida para o próximo mês é até onde vai o dólar, que ontem fechou em 4,17 reais após nova intervenção do Banco Central — a aposta é que a instituição não deixará a moeda passar dos 4,20 reais.

Investidores estrangeiros tiraram cerca de 12 bilhões de reais do país em agosto. Em setembro, com o fim das férias de verão no hemisfério norte, o fluxo de entrada e saída de capital estrangeiro tende a aumentar. Uma surpresa positiva pode vir de uma nova redução na taxa de juros dos Estados Unidos. A próxima reunião do Fed, o banco central do país, está marcada para o dia 18 de setembro, quando pode ser anunciada a segunda redução seguida nas taxas, num impulso para investidores buscarem mercados mais arriscados, como o brasileiro.

O Banco Central brasileiro decide a nova taxa de juros no mesmo dia 18 de setembro, e também pode anunciar uma nova redução. Seria mais um estímulo para investidores seguirem buscando a renda variável.