Pistas sobre o futuro do Fed

Nesta quinta-feira investidores estarão atentos ao primeiro discurso da presidente do banco central americano, o Federal Reserve (Fed), Janet Yellen, após a eleição de Donald Trump. Yellen discursará no Comitê Econômico do Senado e a expectativa é que ela dê sinais sobre o que deve acontecer com a taxa de juros do país no futuro próximo.

Cerca de 90% dos investidores esperam uma alta de 0,25 ponto percentual na próxima reunião, que termina no dia 14 de dezembro, segundo relatório do CME Group. A taxa está no patamar entre 0,25% e 0,50% há quase um ano.

Yellen vai passar hoje a mensagem de que as decisões do Fed se baseiam em dados concretos e não em expectativas de melhora ou piora da economia nos próximos anos. Ela já declarou que o Fed não discute política em suas decisões.

Durante a campanha, numa intromissão incomum e perigosa, Trump criticou várias vezes a postura adotada pelo Fed de manter as taxas baixas (para favorecer os democratas, segundo ele). Prometeu reduções de impostos e aumento de gastos em infraestrutura. A coisa pode ir no sentido contrário: se a economia começar a crescer e a inflação subir, isso pode levar o Fed aumentar as taxas.

Trump poderá nomear, já em 2017, dois membros para ocuparem lugares na reunião do Fed – são 12 cadeiras. Em fevereiro de 2018 expira a presidência de Yellen, e Trump já declarou que vai substituí-la por um nome republicano. O vice-presidente do Fed, Stanley Fischer, também termina seu mandato no primeiro semestre de 2018. Trump então terá a chance de nomear também os dois principais nomes do banco. No mercado, as negociações de contratos futuros estão apostando que os juros do país estarão no patamar de 1,25% no fim de 2018. Isso, é claro, se Trump conseguir impulsionar a economia como prometeu.