Nos balanços, o reflexo da economia

A semana que se inicia tem a divulgação de balanços de varejistas à exportadoras, passando por bancos e energia elétrica. Ao todo são 27 empresas que devem ajudar a mapear o tamanho da derrocada que a economia do país teve durante o segundo trimestre.

Até aqui, os números das 38 companhias de capital aberto que já divulgaram seus balanços mostra uma queda 30% nos lucros na comparação anual, segundo dados da consultoria Economatica. Entre os resultados mais surpreendentes estão o prejuízo de 583 milhões de reais do varejista Grupo Pão de Açúcar e o prejuízo de 337 milhões de reais da fabricante de aviões Embraer.

Esta semana, mais quedas devem a caminho. O Itaú Unibanco – que em 2015 lucrou 23,3 bilhões de reais, o maior ganho já obtido por um banco no país – deve apresentar um lucro 18% menor do que o do segundo trimestre do ano passado, em torno de 5 bilhões de reais, segundo dados da consultoria Thompson Reuters.

A situação também não é fácil paraa varejista Magazine Luiza, que em meio a queda do consumo, deve reportar um prejuízo de 5,2 milhões de reais, segundo analistas do Itaú BBA, ante o lucro de 3 milhões de reais no mesmo período do ano passado.

Do lado positivo, a prestadora de serviços financeiros Cielo deve entregar mais um bom resultado, com um lucro de 976,6 milhões de reais, uma alta de 12% na comparação anual, segundo estimativas do Itaú BBA. Mas, em abril, a companhia avisou que havia perdido alguns grandes varejistas que tinha como clientes e que isso poderia impactar negativamente.

Como a semana também terá a retomada dos trabalhos no Congresso e o encaminhamento do impeachment da presidente Dilma Rousseff, os investidores terão um olho na bolsa, outro em Brasília. Se a política continuar oferecendo uma perspectiva de melhora, os balanços pintados de vermelho podem não ter um impacto muito negativo nas ações. Em julho, vale lembrar, a bolsa subiu 11% mesmo com aumento do desemprego. Para os gestores, pra frente é que se olha.