Na bolsa, euforia pré-Hillary

Um alívio se espalhou pelos principais mercados financeiros ao redor do mundo, na véspera da eleição presidencial nos Estados Unidos. O motivo: o FBI decidiu não indiciar a candidata democrata Hillary Clinton. Nos Estados Unidos, os principais índices, Dow Jones e S&P 500, subiram mais de 2%. Na Europa, a bolsa de Londres subiu 1,7%, a de Frankfurt, 1,9%, e a de Milão, 2,5%. Por aqui, o Ibovespa subiu ainda mais – 3,98%, e voltou aos 64.000 pontos. As maiores altas do dia ficaram com o setor de siderurgia, os papéis preferencias da Gerdau Metalúrgica e da Usiminas subiram 9% (para mais detalhes veja o Resumo de Economia).

A alta desta segunda-feira praticamente apagou as perdas sofridas na semana passada, quando pesquisas mostraram o avanço do republicano Donald Trump. Para analistas, se Hillary se confirmar como presidente, mais altas devem vir. “O volume de negociações na bolsa ainda está baixo, o que mostra que o investidor segue cauteloso. A alta vai se intensificar se Hillary for confirmada como presidente”, afirma Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Corretora.

Se Hillary for eleita, pode levar o Ibovespa a uma trajetória de alta que pode chegar aos 70.000 pontos no fim do ano. “A eleição americana é o principal risco para o mercado neste momento. No mercado interno, há apenas uma grande questão, que é a aprovação da PEC do teto pelo Senado”, afirma Roberto Indech, analista corretora Rico.

Mesmo o Fivethirtyeight, o mais pé-no-chão dentre os institutos de pesquisa americanos, dá 68,5% de chances de Hillary vencer a eleição amanhã. Ainda assim, o efeito do otimismo na bolsa, evidentemente, é diferente para cada companhia. Até porque quarta e quinta-feira terão mais de 50 balanços a caminho – entre eles, de Petrobras, Gerdau e dos bancos Bradesco e Banco do Brasil. O mercado aguarda melhorias nos balanços, para provar que o pior para a economia e para as empresas já passou. Sinais contrários, porém, são bastante possíveis.