Morgan Stanley sugere trocar aplicação em real por rupia

Para a instituição financeira, os problemas externos e internos deverão manter o real em queda até as eleições presidenciais em outubro

Londres – O banco Morgan Stanley distribuiu nesta semana uma recomendação aos clientes para que continuem reduzindo posições na moeda brasileira.

Para a instituição financeira, os problemas externos e internos deverão manter o real em queda até as eleições presidenciais em outubro e o dólar deve atingir R$ 2,65 no fim do terceiro trimestre – período que coincide com o fim da corrida eleitoral. Por isso, sugere trocar investimentos no Brasil pela Índia.

“O real parece sobrevalorizado em nossas métricas e acreditamos que os riscos externos e internos continuarão a pesar sobre a moeda. A dinâmica fiscal do Brasil é especificamente uma das principais preocupações para nós daqui para frente”, dizem os analistas do banco.

“Nós vemos uma depreciação forte do real até antes das eleições com a deterioração do quadro de fraco crescimento e alta inflação, o que pesará sobre as contas públicas, setor privado já alavancado e afetará os fluxos de capital”, explica o texto.

Para o Morgan Stanley, a moeda norte-americana deve sair do atual patamar pouco acima de R$ 2,30 para R$ 2,53 no fim do segundo trimestre.

A desvalorização continuará até que a moeda atinja os R$ 2,65 de setembro. O movimento, porém, deve ser revertido após as eleições e o dólar terminará o ano valendo R$ 2,60 – cinco centavos menos que o preço previsto para os dias que antecedem as eleições.

Diante do cenário de perda de valor do real, o Morgan Stanley sugere aos clientes que diminuam posições na moeda brasileira e aumentem investimentos na rupia indiana.

“Em comparação (ao real), as avaliações para a rupia indiana são atraentes mesmo com os riscos políticos”, diz o Morgan.

Os analistas explicam que o desequilíbrio das contas externas da Índia diminuiu recentemente, mas os riscos políticos podem crescer antes das eleições que acontecerão entre abril e maio.