Moody’s rebaixa qualificação do sistema bancário argentino

A agência alerta sobre a suposta "vulnerabilidade" dos bancos do país

Buenos Aires – A agência de qualificação Moody’s rebaixou sua perspectiva para o setor bancário argentino de “estável” para “negativo”, ao alertar sobre a suposta “vulnerabilidade” dos bancos do país sul-americano, argumento que foi rejeitado nesta sexta-feira por banqueiros e autoridades locais.

A qualificadora explicou em um relatório que esta mudança de nota obedece à “vulnerabilidade do sistema bancário frente fatores macroeconômicos e medidas intervencionistas por parte do governo argentino para os próximos 12 a 18 meses”.

Moody’s mostra “a fragilidade dos lucros” dos bancos, “que dependem cada vez mais das políticas acomodativas, mas insustentáveis do governo”, “sua vulnerabilidade à confiança dos investidores e sua exposição a riscos políticos e a situações que poderiam afetar negativamente a distribuição de seus ativos, sua rentabilidade e sua capitalização”.

O rebaixamento de perspectiva foi fortemente criticado pelas associações que agrupam os bancos na Argentina, que coincidiram em assegurar que os argumentos da qualificadora não têm fundamentos nem se ajustam à realidade do sistema financeiro local.

No entanto, o presidente do Banco Central argentino, assegurou nesta sexta-feira que os bancos locais são “sólidos” e afirmou que as agências de qualificação “não entendem o que passa na Argentina”.

O ministro da Economia argentino, Amado Boudou, qualificou por sua vez como uma “palhaçada” o rebaixamento de perspectiva “em um momento que todo o mundo sofre as consequências das qualificadoras porque foram eles que atribuíram mal os recursos e geraram borbulhas especulativas nos países desenvolvidos”.

De acordo a um relatório do setor elaborado pelo Banco Central argentino, o patrimônio líquido do sistema financeiro argentino registrou em junho passado uma alta anualizada de 22,9%.

Em tanto, as capitalizações do setor acumularam no primeiro semestre 540 milhões de pesos (US$ 128,2 milhões), superando os valores de capital recebidos em todo 2009 e 2010, segundo o relatório oficial.

Na primeira metade do ano, os créditos bancários do setor privado verificaram um crescimento anualizado de 44%, enquanto os depósitos totais do conjunto de bancos registraram uma alta de 30,1%.

Moody’s advertiu que apesar dos “bancos estarem aproveitando a forte demanda de crédito, o aumento do endividamento de consumo poderia representar riscos para a qualidade dos ativos dos bancos”.