Moody´s rebaixa Cosan e ações caem

Endividada e com fraca geração de caixa, empresa apresenta maiores riscos para investidores, avalia agência

As ações da Cosan iniciaram movimento acelerado de queda depois que a agência classificadora de risco Moody´s informou que rebaixou a nota da empresa. Às 12h12, os papéis (CSAN3) eram negociados a 14,66 reais, desvalorizados em 3,29%.

Desde abril, quando a Cosan anunciou a compra da Esso no Brasil, a Moody´s reavaliava o risco da empresa. “A nota reflete a maior alavancagem da empresa, que trabalha com margens fracas e fluxo negativo de caixa, resultado de uma combinação de cenário adverso nos últimos meses com a expectativa de utilização de recursos para quitação da compra da Esso, juntamente com um ambicioso plano de investimentos para os próximos anos”, explica a Moody´s em comunicado ao mercado. Como a previsão é de crescimento no endividamento, a agência colocou a companhia em perspectiva negativa, indicando que poderá rebaixar ainda mais a nota de risco.

Na última sexta-feira (19/9), a Cosan anunciou um aumento de capital no valor de 880 milhões de reais, que envolverá emissão de 55 milhões de ações ordinárias – o equivalente a 20,18% do total de papéis existentes atualmente. O dinheiro será utilizado nos projetos de expansão da empresa, que contarão, ainda, com até 1,5 bilhão de dólares emprestados pelos bancos Bradesco e Calyon Brasil.

Com a emissão de ações, os acionistas minoritários que não quiserem ver sua participação na empresa diminuir terão de comprar mais papéis. Cada ação dá direito à compra de 0,201799292 ação ordinária e somente os acionistas poderão participar da operação.  Sem informar detalhes, a Cosan fixou o preço dos papéis que serão emitidos em 16 reais cada, acima da atual cotação em Bolsa. Caso nenhum minoritário decida adquirir os papéis na oferta, a participação da controladora – a Cosan Limited – passará de 62,8% para 71,88%.

Há tempos analistas e investidores aguardavam informações sobre como a Cosan financiaria seus projetos, já que cada vez mais se complicava a crise no mercado internacional, levando à redução de recursos disponíveis para crédito às empresas. Somente pela Esso, a empresa terá de pagar 826 milhões de dólares, além de assumir uma dívida de 163 milhões de dólares.

De acordo com a Moody´s, o ambicioso programa de investimentos da Cosan ao longo dos próximos anos tem como objetivo preparar a empresa para se tornar a maior e mais integrada empresa de açúcar, etanol e energia, dominando a cadeia que vai do plantio à comercialização.