Mercados estão “à espera de um milagre“ em setembro

Investidores continuam a esperar as medidas salvadoras dos principais BCs do mundo

São Paulo – O mês de setembro se inicia com um sentimento parecido ao visto no início de agosto. Os investidores continuam ansiosos e “à espera de um milagre”. Não que se espere algo divino, dos céus, mas atitudes dos dois principais Bancos Centrais do mundo, o da Europa e dos Estados Unidos. O mês de agosto terminou com uma leve alta de 1,7% do Ibovespa.

A sexta-feira passada se encerrou sem o tão esperado anúncio de um novo estímulo econômico pelo presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, durante o simpósio anual do Fed de Kansas City, em Jackson Hole. As apostas agora se concentram para as próximas reuniões oficiais de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) – 6 de setembro – e do BC americano – em 12 de setembro.

“Neste mês de agosto, as especulações de ações dos Bancos Centrais ficaram em voga. A cada dado econômico divulgado em algum dos principais mercados internacionais, as especulações aumentavam ou diminuíam, gerando diversas repercussões”, resume a equipe de análise da UM Investimentos em um relatório assinado por Ignacio Fravega e outros analistas.

“Apesar da frustração com a falta de um anúncio na reunião do BCE, durante o mês de agosto foram feitas diversas declarações de autoridades da região reafirmando que irão batalhar para preservar o Euro, apesar de ainda não serem apresentadas medidas concretas para isso. Tais declarações ainda sustentam a visão mais otimista do mercado quanto a uma solução menos traumática para a crise de dívida soberana”, ressalta a equipe de análise do HSBC em um relatório assinado pelo estrategista Carlos Nunes.

Cautela

“Apesar de uma ação mais decisiva pelo Fed e BCE ter o potencial de melhorar dramaticamente o sentimento, a economia global de uma maneira geral continua a exigir cautela”, destaca Carlos Sequeira, estrategista do BTG Pactual, em relatório. O banco sugere ações ligadas ao consumo interno e pede atenção aos papéis ligados às commodities, como Vale, Petrobras e siderúrgicas.


“A situação na Zona do Euro segue sendo o maior risco para o mercado de ações. O Banco Central Europeu pode anunciar novas medidas de estímulo monetário e, principalmente, anunciar um plano para compra de títulos públicos dos países em dificuldades. O mercado espera estes detalhes e já precifica que isto será anunciado após a reunião da próxima quinta-feira”, destacam os analistas do Citi, Fernando Siqueira e Hugo Rosa.

O ministro alemão das Finanças, Wolfgang Schauble, advertiu hoje que o mercado pode estar cirando “falsas expectativas” para a reunião. “As dívidas dos Estados não devem ser financiadas pelo BCE”, disse, reiterando a posição alemã, em uma entrevista à rádio Deutschlandfunk.

China

O desempenho econômico do país asiático continua a levantar preocupações entre os economistas. No sábado, o Índice de Gerentes de Compras da China (PMI) da indústria mostrou uma queda da atividade para 49,2 pontos em agosto, ante os 50,1 pontos registrados em julho, segundo dados oficiais. Foi a primeira vez desde novembro do ano passado que o PMI oficial cai abaixo dos 50 pontos. Valores abaixo dos 50 pontos apontam contração.

“Os fracos indicadores da economia local, entre eles o forte recuo das exportações, produção industrial e empréstimos bancários abaixo das expectativas, além da queda na prévia do índice PMI de manufaturas em agosto, colaboram com a ideia de nossos economistas de que o governo de Pequim deve tomar novas medidas de acomodação monetária em breve”, ressalta o HSBC. Desde junho, o banco central chinês reduziu duas vezes as taxas de juros.