Mercados avaliam discurso de Bernanke em Jackson Hole

Presidente do BC americano disse que irá considerar novas ferramentas em setembro, mas não anunciou nada de imediato

São Paulo – As bolsas nos EUA e no Brasil passaram a operar em queda nesta sexta-feira após o presidente do Banco Central americano, Ben Bernanke, não dar sinais claros de um novo estímulo para a economia do país. Ele discursou nesta sexta-feira em um bastante aguardado evento em Jackson Hole, Wyoming.

No Brasil, o Ibovespa operava em queda de 1,05%, aos 52.396 pontos. Nos EUA, o Dow Jones, o índice mais acompanhado em Wall Street, recua 1,6%. O Nasdaq 100 cai 0,5% e o S&P 500 recua 1,15%. Os mercados, contudo, estão voláteis e já ensaiam uma recuperação. Às 11h30, o Nasdaq já apresentava uma leve alta.

O mercado também avalia hoje a revisão do resultado do PIB (Produto Interno Bruto) dos EUA no segundo trimestre de 1,3% para 1%.

Jackson Hole

Os investidores esperavam com muita apreensão um possível sinal de um QE3 nas palavras de Bernanke nesta sexta-feira, o que ajudaria o país a enfrentar mais uma fase de desaceleração econômica. No ano passado, no mesmo evento, ele anunciou que poderia iniciar um novo programa de recompra de títulos do Tesouro americano, o famoso QE2 (Quantitative Easing, ou afrouxamento monetário).

Ele de fato foi anunciado e ajudou a inundar a economia americana com mais 600 bilhões de dólares. Desta vez, contudo, foi diferente. Bernanke voltou a dizer que possui várias ferramentas que podem ser usadas para estímulos monetários adicionais. “Nós discutimos os méritos e custos relativos de tais ferramentas em nossa reunião de agosto”, disse hoje.

Bernanke destacou que irá avaliar o uso de alguma delas no próximo encontro de política monetária do Fed agendado para os dias 20 e 21 de setembro. “O comitê irá continuar a avaliar a perspectiva econômica sob a luz das novas informações e está preparado para empregar as ferramentas de forma apropriada para promover uma recuperação econômica forte em um contexto de estabilidade de preços”.