Mercado paralelo de fuga de capital atinge recorde na China

Residentes que querem enviar dinheiro para o exterior estão recorrendo a transações não registradas para escapar dos rígidos controles de capital

A fuga de capital da China no mercado paralelo subiu para nível recorde no primeiro semestre deste ano, sugerindo que residentes que desejam transferir dinheiro para o exterior estão recorrendo a transações não registradas para escapar dos rígidos controles de capital.

Os dados são do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), com sede em Washington, segundo o qual “erros e omissões líquidas” na balança de pagamentos da China, amplamente vista como um indicador de fuga de capital no mercado paralelo, subiram para um recorde de US$ 131 bilhões nos primeiros seis meses.

O volume ultrapassa os US$ 80 bilhões médios registrados durante o mesmo período em 2015 e 2016, quando as pressões de saída se intensificaram, afirmou o instituto.

“O capital residente continua a deixar o país por meio de transações não registradas”, disse Gene Ma, chefe de pesquisa para a China no IIF, em nota de 10 de outubro. Embora as saídas registradas de recursos de residentes tenham somado US$ 74 bilhões, o menor nível em 10 anos, “a verdadeira extensão da fuga de capitais parece subnotificada”, escreveu Ma.

Erros e omissões líquidas são uma categoria presente na contabilidade da balança de pagamentos para refletir fluxos que não podem ser explicados em outro lugar. Discrepâncias nos dados de turismo também podem ser usadas para identificar a prática de cidadãos que usam atividades como compra de imóveis ou de seguro de vida no exterior para esconder capital.

Uma outra medida da Bloomberg para estimar fluxos de capital mostrou que as saídas somaram cerca de US$ 226 bilhões nos primeiros sete meses deste ano, cerca de 19% a mais do que no mesmo período de 2018.

Embora o receio sobre o ritmo de crescimento pese sobre o cenário da China no próximo ano, Ma espera fluxos líquidos relativamente equilibrados em 2020. A inclusão da China nos índices de ações globais e sua participação gradual nos índices de títulos mundiais a partir do próximo ano continuarão a impulsionar entradas significativas nos portfólios, enquanto a Administração Estatal de Câmbio disse que está comprometida com a abertura contínua do mercado financeiro, disse.