Mercado externo e incerteza da Previdência jogarão dólar a 4 reais?

Moeda americana voltou a subir nesta quinta-feira, chegado perto dos 3,90 reais. Volta do Congresso, na semana que vem, deve manter volatilidade em alta

Após voltar a subir 1,30% nesta quinta-feira, o dólar virou o principal tema de discussão em mesas de operação brasileiras. Nesta sexta-feira, a expectativa é se fechará acima dos 3,90, no caminho para os 4 reais.

Com a política em compasso de espera por causa do feriado prolongado de carnaval, a alta do dólar tem sido pautada pelo mercado externo. A expectativa, no entanto, é que, com o retorno dos parlamentares ao Congresso na semana que vem, o quadro doméstico volte a atrair a atenção dos investidores. Eles estarão de olho principalmente nos trâmites da reforma da Previdência, que deve ter a sua primeira prova de fogo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O problema: pelo andar da carruagem, o Congresso pode ajudar a empurrar o câmbio para cima. Se a comissão não for instalada já na próxima semana, a reforma da Previdência poderá ser votada no plenário da Câmara somente no segundo semestre, segundo o deputado Felipe Francischini (PSL-PR), futuro presidente da CCJ, em entrevista à GloboNews. “O presidente Rodrigo Maia me disse que instalação [da CCJ] deve ser entre terça [12] e quarta [13]. Ainda estamos esperando as indicações dos líderes para a comissão. Se não instalar na semana que vem, acho difícil que o texto final da reforma seja votado no plenário ainda no primeiro semestre. A CCJ vai ser o grande termômetro”, afirmou. Governistas têm dito que a aprovação da reforma deve acontecer até meados do ano.

Até a aprovação da pauta, o dólar deve se manter volátil, segundo Huang Seen, head de renda fixa da Schroders, gestora que tem 4 bilhões de dólares sob gestão no Brasil. A aprovação da pauta já está precificada, mas ainda não é possível determinar o valor do ajuste nem o prazo de tramitação, e é essa incerteza que o executivo diz que provocará o sobe-e-desce da moeda americana. Ao menos, no que tange ao cenário doméstico. “Já no exterior a expectativa é de um banco central americano mais dovish (ou seja, mais tolerante com a inflação, o que na teoria ajuda o Brasil)”, acrescenta.

A gestora revisou para baixo a sua expectativa para o Produto Interno Bruto brasileiro em 2019, passando de 2,1% para 2%. A Necton seguiu o mesmo caminho, ao reduzir de 2,1% para 1,8%. “Motivou essa revisão o baixo crescimento no último trimestre de 2018, além de dados correntes muito fracos com destaque para o mercado de trabalho”, escreveu André Perfeito, economista-chefe da casa, em relatório. “Acreditamos que a reforma irá passar, mas apenas no segundo semestre, muito provavelmente em setembro. Vale notar que o baixo crescimento econômico torna ainda ‘mais cara’ a costura política de uma reforma que tem como objetivo criar uma nova previdência. E se persistir a percepção de que o presidente não está conseguindo organizar sua base teremos maiores ruídos no câmbio ao longo dos próximos meses.”