Mercado avalia intenção da Cosan de perto

Ideia de entrar no controle da ALL pode ser positiva, mas avaliação depende de mais detalhes

São Paulo – Quando a Cosan (CSAN3) anunciou que pretende comprar uma fatia de 5,67% em ações da América Latina Logística (ALLL3), o mercado estranhou o valor. O prêmio por ação era superior a 23 reais quando o papel da ALL estava cotado em pouco mais de 11 reais. “A princípio o preço pago pareceu ser muito acima do que a ALL é negociada, mas esse valor pode ser explicado por ser uma fatia do bloco controlador”, afirma Gustavo Lomonaco, analista da XP Investimentos. Com o susto inicial os papéis caíram 1,02% no pregão. O movimento de queda, porém, acabou no dia seguinte, com a operação melhor explicada pela empresa.

O valor oferecido é alto por que os papéis não são ações quaisquer. Embora o percentual pretendido seja pequeno, de 5,67% na empresa, ele está dentro do bloco controlador. Se a operação for bem sucedida, a Cosan conseguirá 49% desse bloco. Mas o que busca a companhia com isso?

“A Cosan está passando por um momento de transformação e ficando menos dependente de uma indústria cíclica como é a do açúcar e álcool”, avalia Pedro Quaresma, sócio e diretor de análises da STK Capital. A gestora tem a Cosan como uma das principais empresas de seu portfólio, ao lado de nomes como Itaú, Redecard e CCR. Eles investem na companhia desde o início de suas operações, em 2010. Apesar de acompanharem bem de perto o histórico da companhia, num primeiro momento, não devem aplicar mais na Cosan. “Vamos primeiro apenas observar”, afirma Quaresma.

Aplicar mais ou menos na Cosan dependeria dos próximos passos. A intenção de comprar uma participação na ALL precisa ficar mais clara. Em teleconferência para detalhar a intenção de compra ao mercado, Marcos Marinho Lutz, diretor-presidente da Cosan, explicou que a ideia da empresa é aproveitar mais o potencial do setor de logística. A empresa já faz isso com sua subsidiária Rumo Logística e esse é outro ponto que gerou dúvidas durante a teleconferência. Lutz garantiu que não haveria nenhum conflito de interesse e que, num primeiro momento, não existia a ideia de incorporar a Rumo Logística. Na avaliação de Quaresma, porém, o negócio, se aprovado, permitira alguns movimentos entre Rumo e ALL, que já são parceiras comerciais. Esses movimentos poderiam ser positivos, mas o mercado não teve nenhuma sinalização sobre essa possibilidade, na visão de Quaresma, por uma questão estratégica.

O mercado aguarda esse e outros esclarecimentos para decidir melhor o que achou da intenção da Cosan. Pontos como a aprovação do negócio pelos outros acionistas e a forma de pagamento também precisam ser esclarecidos.

Lomonaco, da XP Investimentos, também evitou alterar sua recomendação para os papéis num primeiro momento. A classificação para a ação continua sendo “atrativa”, com preço-alvo de 35 reais, um potencial de valorização de 19% sobre o fechamento de quinta-feira.

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