Mão do governo sobre a economia define altas e baixas no mês

Decisões de Dilma Rousseff e equipe econômica impulsionaram e derrubaram setores inteiros

São Paulo – As decisões do governo Dilma Rousseff e sua equipe econômica tiveram um efeito determinante sobre o rumo das ações na bolsa brasileira em setembro. Enquanto o setor elétrico despencou após a revisão das regras para concessões no setor, os papéis de siderúrgicas dispararam com o aumento das tarifas de importação de certos produtos. O Ibovespa terminou o mês com uma alta de 3,7%. 

Fora daqui, a atuação dos governos também foi determinante e o sentimento geral em relação aos ativos de risco melhorou. Tanto o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco Central americano (Federal Reserve) fizeram o que era esperado e anunciaram medidas de estímulos econômicos. Nos últimos dias, contudo, as preocupações em relação ao ambiente político e financeiro da Espanha pioraram um pouco as expectativas de melhora da zona do euro.

O resultado de estresse dos bancos do país revelou que o setor precisa de 59,3 bilhões de euros (76,3 bilhões de dólares) em capital para lidar com um cenário de queda aguda da economia do país. Os resultados irão ajudar a Espanha a determinar quanto dinheiro irá precisar pedir à União Europeia como parte da linha de 100 bilhões de euros disponível.

Alta

As ações da B2W dispararam 43% neste mês apoiadas em rumores sobre um possível interesse da Amazon em seu capital (fato negado por ambas) e também pelas notícias de que a sua controladora, a Lojas Americanas, têm aumentado a sua fatia na empresa por meio de compras de papéis diretamente no mercado.

Empresa Código Preço (R$) Var. (%)
B2W BTOW3 10,65 42,95
Usiminas USIM5 10,12 23,57
Usiminas USIM3 11,62 19,67
Suzano SUZB5 5,33 18,71
Klabin KLBN4 10,6 16,61
Fibria FIBR3 18,43 16,5
GOL GOLL4 11,57 14,22
Cosan CSAN3 37,03 10,87
CSN CSNA3 11,42 10,55
BR Malls BRML3 28,15 10,39

Para o analista do Santander, Tobias Stingelin, o aumento da participação da Lojas Americanas indica um comprometimento com a B2W e envia um sinal positivo. Stingelin acredita, contudo, que a controladora não tem o interesse de fechar o capital, mas poderia continuar a comprar os papéis na bolsa até o limite de 29% do que circula no mercado sem a necessidade de lançar uma oferta para todos acionistas.

Além disso, a empresa renegociou as cláusulas de endividamento máximo com credores, que passou de um nível de dívida líquida sobre o Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de 2,9 vezes nos últimos doze meses para 3,5 vezes. “No momento, estimamos que a B2W pode alavancar mais R$300-500 milhões”, calcula o analista do Santander.

Baixa

O setor elétrico viveu momentos de terror no mês. Em uma medida bastante aguardada, a presidente anunciou o programa de redução de tarifas. Alguns detalhes relacionados às indenizações para empresas que não aceitem os novos termos e as renovações das concessões foram entendidas como quebra de contrato e um sinal de insegurança jurídica no setor. O resultado foi uma forte queda dos papéis do setor.

Empresa Código Preço (R$) Var. (%)
Cesp CESP6 21,65 -42,34
Cemig CMIG4 24,58 -35,65
Cteep TRPL4 37,68 -33,7
Eletrobras ELET3 12,1 -20,76
Copel CPLE6 33,1 -16,2
Rossi RSID3 5,03 -16,17
Cielo CIEL3 50,59 -14,6
ALL ALLL3 8,38 -13,79
MMX MMXM3 4,97 -11,72
Eletrobras ELET6 18,23 -10,99

“A percepção de quanto a força regulatória do país se enfraquece dependerá de como o regulador avaliará os ativos dos detentores das concessões. A intenção do governo de reduzir as tarifas de eletricidade para os consumidores finais, o que se acredita ser o direcionador de suas ações, deverá pressionar a geração de fluxo de caixa”, ressalta a Fitch em uma análise publicada recentemente. Seis das dez maiores baixas do mês são do setor. A Cesp levou a pior, com uma queda de 42,3%.