Varejo: sobrou até para a Renner

Se a economia começa a dar sinais de retomada, para o varejo o atoleiro continua. Isso deve ficar claro nos resultados a serem divulgados a partir desta semana. O caso mais emblemático é da varejista de moda Renner, que manteve excelentes resultados enquanto as concorrentes sofriam. Ano passado, o faturamento cresceu 11%, e o lucro avançou 22%, para 578 milhões de reais. Os números que a companhia divulgará após o fechamento do pregão nesta segunda-feira devem mostrar que sua aparente imunidade à crise chegou ao fim.

Analistas projetam que pela primeira vez em sete anos a Renner deve relatar queda nas vendas nas abertas há pelo menos 12 meses. Para o banco Credit Suisse, a queda deve ser entre 1% e 2%. O banco BTG Pactual prevê lucro de 87 milhões de reais – 10% menor do que o apresentado entre julho e setembro de 2015 e metade do lucro do segundo trimestre deste ano, de 175 milhões.

Os números, claro, devem ser um reflexo do ambiente econômico ainda fraco. Além disso, os Jogos Olímpicos e as temperaturas mais altas durante o inverno também jogaram contra. “A perspectiva a curto-prazo é mais preocupante, mas não acreditamos que houve qualquer alteração nos fundamentos de longo prazo da companhia”, afirmam analistas do Credit Suisse.

Se o cenário não é bom para Renner, para as outras é de roer as unhas. As concorrentes Hering e Marisa publicam seus balanços na quinta-feira 27. Para a Hering, a expectativa é de uma queda de 9% nos lucros na comparação anual, para 40 milhões de reais, já a Marisa deve continuar no prejuízo – 46 milhões de reais ante os 27 milhões do terceiro trimestre do ano passado.

A dúvida agora é quando a vida das varejistas vai melhorar. Até agosto, as vendas no varejo caíram 6,6% em 2016. A elevação no nível de confiança de consumidor, ressaltam economistas, ainda não se converteu em uma melhora real nas vendas. O desemprego não dá trégua. Mesmo com natal a caminho, muita gente já olha para 2017.