Juros têm forte alta, apesar de ações do BC e Tesouro

À tarde, quando as taxas longas seguiam em alta, mas em patamares inferiores aos da manhã, o Tesouro anunciou a recompra de títulos

São Paulo – O mercado de juros futuros teve mais um dia de forte volatilidade, influenciado pelo movimento do dólar e por duas atuações do Banco Central (BC) no câmbio, mas também por mais um leilão de recompra de títulos públicos promovido pelo Tesouro Nacional nesta terça-feira, 18.

À tarde, quando as taxas longas seguiam em alta, mas em patamares inferiores aos da manhã, o Tesouro anunciou a recompra de títulos. As taxas longas desaceleraram, mas a operação foi insuficiente para barrar a força altista dos juros futuros. O Tesouro se propôs a recomprar até 2 milhões de papéis, mas negociou apenas 200 mil. Depois do resultado, as taxas longas voltaram a subir um pouco mais, também diante da retomada do vigor do dólar.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro para outubro de 2013 (269.735 contratos) estava em 8,46%, de 8,43% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2014 (407.080 contratos) marcava 8,97%, ante 8,88% na véspera, enquanto o vencimento para janeiro de 2015 (420.335 contratos) indicava taxa de 10,19%, ante 9,82% e máxima no pregão de 10,26%.

Na ponta mais longa da curva a termo, o contrato para janeiro de 2017 (255.865 contratos) apontava 11,05%, ante 10,69% na véspera e após bater na máxima de 11,20%. O DI para janeiro de 2021 (21.230 contratos) estava na máxima de 11,27%, de 11,07% do ajuste anterior e máxima de 11,40%. Os juros embutem chance majoritária de a Selic subir 0,75 ponto porcentual no encontro de julho do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, com a Selic terminando o ano acima de 10%.

As taxas futuras subiram com intensidade desde o começo do dia, em linha com a contínua valorização do dólar em relação ao real. O BC fez dois leilões de swap cambial (que corresponde à venda de dólares no mercado futuro) e conseguiu, por alguns momentos, recolocar a moeda dos EUA em sentido de baixa. Com isso, os juros também desaceleraram. Mas o dólar à vista voltou a subir e terminou cotado a R$ 2,1770 no balcão, com alta de 0,23%.

“A alta do IGP-M mostra que o câmbio começa a afetar os preços no atacado e pode funcionar como pressão adicional sobre a inflação ao consumidor”, afirmou o estrategista-chefe do Banco WestLB no Brasil, Luciano Rostagno.

O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 0,74% na segunda prévia de junho, ante 0,01% em igual leitura do mesmo indicador em maio. Os preços dos produtos agrícolas atacadistas voltaram a registrar inflação, de 1,00%, na comparação com uma deflação de 1,96% na segunda prévia do índice em maio.

Em audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nesta tarde, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, voltou a reafirmar discursos recentes. Segundo ele, a inflação acumulada em 12 meses ainda apresenta tendência de elevação no curto prazo. “Mas posso assegurar que o Banco Central está vigilante e fará o que for necessário, com a devida tempestividade, para colocar a inflação em declínio no segundo semestre e para assegurar que essa tendência persista neste e nos próximos anos”, disse.