Juros futuros têm viés de alta na abertura

Otimismo visto nas bolsas mundiais influencia contratos

O otimismo visto no exterior nesta terça-feira, em meio à expectativa de avanço nas negociações para evitar o abismo fiscal nos Estados Unidos, traz um viés de alta para as taxas dos contratos futuros de juros no Brasil, pelo menos na abertura dos negócios. Mas mesmo os ganhos lá fora são contidos, com os investidores à espera de mais notícias sobre as discussões políticas nos EUA e de dados sobre a economia americana.

Às 9h31 (horário de Brasília), os contratos futuros de juros com vencimento em janeiro de 2014 tinham taxa de 7,08%, a mesma do ajuste de segunda-feira (17). Já o DI para janeiro de 2015 marcava 7,64%, ante 7,62% do ajuste anterior. O contrato para janeiro de 2017 estava em 8,48%, ante 8,44%.

Na segunda-feira (17), a Casa Branca abandonou seu esforço para elevar as taxas de impostos sobre as rendas acima de US$ 250 mil, um elemento-chave em sua proposta de arrecadação de tributos e corte de gastos. Em sua nova contraproposta para os parlamentares republicanos, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, recuou desta posição e pretende agora aumentar os impostos sobre as rendas acima de US$ 400 mil. Esse patamar é ainda inferior ao limite de US$ 1 milhão recentemente oferecido pelo presidente da Câmara, o republicano John Boehner, mas representaria um passo adiante nas discussões para evitar o abismo fiscal.

“A contraoferta de Obama sinaliza que já começa a haver uma maior flexibilização para evitar o abismo fiscal”, destacou Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco WestLB do Brasil. “Mas o mercado também vai olhar os dados do mercado imobiliário nos Estados Unidos. Se eles vierem bons, isso pode fazer as taxas subirem”, comentou. Às 13 horas (horário de Brasília), a Associação Nacional dos Construtores de Casas (NAHB) divulga a confiança do setor em dezembro. A expectativa é de um índice de 46 – mesmo patamar verificado em novembro.

No Brasil, o Banco Central divulga às 10h30 os dados das contas externas em novembro. A expectativa, conforme o AE Projeções, é de que o déficit de transações correntes seja de US$ 5,2 bilhões a US$ 6,8 bilhões no período (mediana negativa em US$ 6 bilhões), ao passo que o Investimento Estrangeiro Direito (IED) deve ter um resultado positivo de US$ 2,7 bilhões a US$ 4,1 bilhões (mediana de US$ 3 bilhões). A autoridade monetária também divulgará a revisão das previsões sobre dados das contas externas em 2012 e também as projeções para 2013.

Também ficará no radar o movimento do câmbio nesta terça-feira, quando o Banco Central faz três leilões de venda de dólares conjugada com recompra (leilões de linha) pela manhã. Há pouco, a autoridade monetária alterou, por meio de circular, a regra do recolhimento compulsório sobre posição vendida de câmbio dos bancos, elevando de US$ 1 bilhão para US$ 3 bilhões o valor de incidência livre de compulsório. Vale lembrar que o atual patamar da moeda americana no mercado de balcão, próximo de R$ 2,10, é monitorado também pelos investidores em DI, em meio aos receios com os reflexos do dólar sobre a inflação.