Juros futuros recuam sob influência de dados dos EUA

Ao final da sessão regular da BM&F, a taxa dos contratos futuros de juros com vencimento em janeiro de 2013 marcava 7,36%, ante 7,38% do ajuste de terça-feira

São Paulo – Os números das vendas de moradias novas nos Estados Unidos, divulgados nesta quarta-feira reduziram o fôlego dos ativos de maior risco no exterior, como as ações, e abriram espaço para a queda dos juros no Brasil. A percepção de que os Estados Unidos e a zona do euro ainda fraquejam – o que traria um viés desinflacionário para o País – fez as taxas dos DIs recuarem em toda a cadeia a termo, em especial nos vencimentos mais longos. Mais uma vez, o dia foi marcado pela baixa liquidez.

Ao final da sessão regular da BM&F, a taxa dos contratos futuros de juros com vencimento em janeiro de 2013 (90.605 contratos) marcava 7,36%, ante 7,38% do ajuste de terça-feira. A taxa do DI para janeiro de 2014 (178.740 contratos) estava em 7,67%, ante 7,73% do ajuste anterior. Na ponta mais longa, o DI para janeiro de 2017 (96.500 contratos) tinha taxa de 8,87%, ante 8,97%, e o DI para janeiro de 2021 (12.835 contratos) marcava 9,49%, ante 9,61%.

Profissional ouvido pela Agência Estado informou que a curva a termo segue precificando, de forma majoritária, um corte de 0,50 ponto porcentual da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no fim de agosto. Para o encontro de outubro, as apostas seguem divididas entre corte adicional de 0,25 ponto e manutenção da taxa básica, embora agora haja certa predominância para o primeiro caso.

Pela manhã, as taxas dos DIs oscilaram próximas do ajuste de terça-feira, até que saíram os números de vendas de moradias nos EUA. O Departamento de Comércio informou que as vendas recuaram 8,4% em junho ante maio, para 350 mil unidades, o nível mais baixo em cinco meses. Na comparação com junho de 2011, porém, houve alta de 15,1%. Economistas previam alta mensal de 1,6% na margem.


Esses dados reduziram os ganhos das ações no exterior, com reflexos na Bovespa, e definiram as quedas nas taxas dos DIs. “Pela manhã, a gente via um cenário bom, mas o dado de moradias nos EUA fez com que o mercado se ajustasse”, afirmou Flávio Serrano, economista-sênior do Besi Brasil.

Os números dos estoques de petróleo nos EUA, que subiram 2,717 milhões barris na semana encerrada em 20 de julho, ante previsão de queda de 800 mil barris, também foram ruins, lançando dúvidas sobre a recuperação da economia norte-americana.

Mais cedo, porém, notícias de que o Federal Reserve estaria mais perto de agir para implementar novas medidas de estímulo à economia sustentava certo otimismo global. “E se isso ocorrer, a reação das taxas dos DIs no Brasil deve ser de baixa, porque o Banco Central vem se pautando nos impactos de cenário externo sobre a inflação brasileira”, afirma. Na prática, se a economia norte-americana vai mal, necessitando de mais estímulos, o impacto desinflacionário por aqui permitiria cortes adicionais da Selic.

Essa dinâmica externa deixou em segundo plano, pelo menos nesta quarta-feira, os indicadores divulgados no Brasil. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) subiu 0,19% na terceira prévia de julho, ante 0,20% do levantamento anterior. Já o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) de julho, medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), recuou 1,5% na comparação com junho. Em maio, a queda havia sido de 2,8%.

Além disso, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) informou que a indústria do setor fechou o mês de junho com faturamento bruto real de R$ 7,158 bilhões, o que representa uma baixa de 0,5% em relação a maio. Na comparação com junho de 2011, o faturamento bruto real registrou alta de 3,8%. Segundo a entidade, no acumulado do primeiro semestre de 2012 o setor faturou R$ 39,932 bilhões, o que representa um avanço de 2,1% ante igual período de 2011.