Juros futuros abrem em alta reagindo a exterior

Os investidores ainda mantêm o foco nas tensões envolvendo a Síria

São Paulo – Os juros futuros iniciaram a terça-feira, 3, em alta, reagindo mais ao quadro externo do que ao número divulgado hoje da produção industrial no Brasil em julho, que apresentou recuo de 2% ante o mês anterior, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado, que veio próximo ao piso das estimativas (de -0,24% a -2,30%), deveria puxar as taxas para baixo. Mas os contratos de DI futuro acompanham o comportamento dos Treasuries, cujas T-Notes de 10 anos superam o patamar de 2,83%, e também do dólar, que abriu em forte alta de 1,09%, cotado a US$ 2,4010 no mercado à vista de balcão. Às 9h25, o contrato de DI futuro para janeiro de 2015 era negociado a 10,58%, de 10,51%; enquanto o DI para janeiro de 2017 tinha taxa de 11,89%, de 11,82% no ajuste de segunda-feira, 2.

A moeda norte-americana ganha terreno na manhã desta terça-feira, 3, ante o euro e o iene, além de economias emergentes. O movimento reflete a expectativa positiva com os números do setor industrial dos Estados Unidos que serão conhecidos logo mais. A agenda de indicadores dos EUA para esta terça-feira traz como destaque os índices da Markit e do ISM sobre a atividade no setor industrial em agosto. Os indicadores também devem ter influência nos Treasuries, com efeito nos juros domésticos.

Os investidores ainda mantêm o foco nas tensões envolvendo a Síria. A Rússia, segundo agências de notícias do país, detectou o lançamento de dois mísseis balísticos da parte central do Mediterrâneo. Eles teriam sido disparados em direção à costa oriental do Mar Mediterrâneo na manhã desta terça-feira. A mídia israelense informou que os disparos fazem parte de um treinamento conjunto entre os exércitos dos EUA e de Israel. A notícia provocou queda acentuada das bolsas europeias.

Ontem, em função do feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos, a liquidez dos principais mercados foi reduzida. Os juros futuros oscilaram em queda durante praticamente o dia todo, em linha com a desvalorização do dólar em relação ao real. Na reta final dos negócios, as taxas voltaram para perto dos ajustes, diante da cautela com uma semana cheia de eventos, incluindo a ata do Copom, na quinta-feira, e o IPCA de agosto, na sexta-feira, mesmo dia do relatório do mercado de trabalho norte-americano (payroll).