Juros fecham em alta, seguindo dólar e dúvidas externas

O fato de o Banco Central ter vendido parcialmente os contratos de swap criou um ruído que amplificou a valorização do dólar

São Paulo – Em meio ao avanço firme do dólar em relação ao real, as taxas futuras de juros subiram nesta quarta-feira, 25. A moeda dos EUA sofreu influência das incertezas quanto ao teto da dívida e ao orçamento norte-americanos, o que trouxe certa aversão ao risco.

Além disso, o fato de o Banco Central ter vendido parcialmente os contratos de swap, pela primeira vez desde que anunciou o programa de intervenção diária, criou um ruído que amplificou a valorização do dólar. Os índices de inflação domésticos conhecidos mais cedo mostraram aceleração, o que contribuiu, ainda que de forma secundária, para o avanço dos juros futuros.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro para janeiro de 2014 (134.790 contratos) marcava mínima de 9,24%, de 9,23% no ajuste anterior.

O vencimento para janeiro de 2015 (309.645 contratos) indicava taxa de 10,04%, ante 9,99% na véspera. Na ponta mais longa, o contrato para janeiro de 2017 (196.735 contratos) apontava 11,24%, de 11,09%. A taxa do DI para janeiro de 2021 (4.650 contratos) estava em 11,66%, de 11,53% no ajuste anterior.

“O mercado de juros trabalhou de olho no dólar, que sobe influenciado pelas incertezas em relação à questão fiscal nos Estados Unidos”, afirmou o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostgano. O dólar à vista no balcão terminou cotado a R$ 2,227, com alta de 1,37%.


Nesta manhã, o Departamento do Tesouro dos EUA informou que vai exaurir as medidas emergenciais que tomou para garantir o pagamento de obrigações federais até 17 de outubro, quando o governo contará com apenas US$ 30 bilhões em caixa.

Vale destacar que o Senado dos EUA aprovou nesta tarde a deliberação sobre uma versão alterada do Orçamento para o ano fiscal de 2014. Mas existem outras votações informais que terão de ser realizadas antes da votação final do projeto no plenário, que pode não ocorrer antes de domingo, 29.

Dos dados de inflação conhecidos, o IPC-Fipe, que mede a inflação na cidade de São Paulo, registrou alta de 0,20% na terceira quadrissemana de setembro, após taxa de 0,16% na segunda leitura do mês e acima da mediana da estimativas coletadas pelo AE Projeções (0,17%).

O Índice Nacional de Custos da Construção – Mercado (INCC-M) subiu 0,43% em setembro, mostrando aceleração ante a alta de 0,31% de agosto e com taxa acima do teto do intervalo das estimativas do AE Projeções (0,37%). E o Índice de Preços ao Produtor (IPP) em agosto subiu 1,48%, de 1,21% em julho, mostrando que a desvalorização cambial é sentida nos preços do atacado.

A quarta-feira também foi marcada por palestras da equipe econômica em Nova York, tentando atrair investidores estrangeiros para os projetos de infraestrutura no Brasil. O presidente do BC, Alexandre Tombini, afirmou que a inflação no Brasil está se retraindo e que a autoridade monetária vai assegurar que continue em trajetória declinante.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o investimento em infraestrutura, assim como ocorreu na China, vai dar dinamismo à economia brasileira e a participação no Produto Interno Bruto (PIB) pode sair do nível atual de 18% a 19% para atingir 23% ou 24%.