Juros caem com piora no exterior e de projeções para PIB

Ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 estava em 7,25%, de 7,27% no ajuste

São Paulo – Em um dia de liquidez um pouco menor devido ao feriado nos Estados Unidos, as taxas futuras de juros operaram em baixa durante todo esta segunda-feira influenciadas por dados negativos vindos do exterior. Além disso, há uma perspectiva de que as condições para renovação das concessões de empresas de energia serão mais duras a partir de agora, resultando em preços menores e ajudando no controle da inflação futura. Por fim, o mercado financeiro voltou a revisar em baixa as perspectivas para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, ao mesmo tempo em que manteve a projeção de que haverá mais um corte de 0,25 ponto porcentual da Selic em outubro, para 7,25%.

Assim, ao término da negociação normal na BM&F, a taxa projetada pelo DI janeiro de 2013 (447.995 contratos) estava em 7,25%, de 7,27% no ajuste. Já a taxa do contrato de juro futuro para janeiro de 2014 (259.765 contratos) marcava 7,75%, ante 7,82% na sexta-feira. Entre os longos, o DI janeiro de 2017 (73.180 contratos) indicava 8,98%, de 9,02%, enquanto o DI janeiro de 2021, com giro de 2.075 contratos, apontava 9,55%, de 9,59% no ajuste.

Nesta segunda-feira na pesquisa Focus, os agentes revisaram o PIB de 2012 de 1,73% para 1,64%. Para 2013, a previsão para o crescimento do PIB seguiu em 4%. Além disso, apesar do comunicado mais conservador do Comitê de Política Monetária (Copom), após o corte de 0,5 ponto porcentual da Selic, para 7,50%, foi mantida a perspectiva de que a taxa básica ainda cairá para 7,25% em outubro. Outro destaque foi a guinada das projeções para a Selic em 2013. A estimativa no próximo ano subiu de 8,25% para 8,50% e voltou ao patamar em que estava em 20 de agosto.


No âmbito da inflação, por sinal, o mercado financeiro fez apenas um ajuste marginal na projeção para o IPCA de 2013, que passou de 5,50% para 5,51%. Para 2012, a mediana das expectativas subiu pela oitava semana consecutiva, agora de 5,19% para 5,20%.

O Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S), divulgado pela manhã pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) ficou em 0,44% na quadrissemana que encerrou o mês de agosto, ante 0,22% em julho. O economista da FGV, André Braz, estima que o índice deve desacelerar um pouco em setembro, terminando o mês em 0,40%. Para o ano, o economista manteve a projeção de 5,20% ao final de 2012.

No exterior, o clima de incertezas prossegue, mas os dados ruins da Europa voltaram a suscitar expectativas em torno de uma ação mais firme do Banco Central Europeu (BCE), na próxima quinta-feira. O índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial da zona do euro ficou abaixo de 50 pelo 13º mês consecutivo em agosto – o que indica contração da atividade, ainda que o dado tenha subido de 44,0 em julho para 45,1 em agosto.

Já o índice PMI da China, medido pelo HSBC, caiu de 49,3 da leitura final de julho para 47,6 em agosto, o que representa o menor nível desde março de 2009. Esses números sugerem que as perspectivas para a economia chinesa permanecem fracas e aumentam as preocupações sobre uma desaceleração acentuada na segunda maior economia mundial.