Itaú lidera avanço de bancos brasileiros em operações soberanas

Governo brasileiro fez ontem uma captação externa de US$ 750 milhões e o banco foi um dos líderes da transação

Nova York/São Paulo – O Itaú Unibanco Holding SA, maior banco da América Latina por valor de mercado, ampliou sua fatia na venda de títulos do governo no exterior, liderando o avanço dos bancos brasileiros nos mercados internacionais.

O governo brasileiro fez ontem uma captação externa de US$ 750 milhões em títulos com vencimento em 2021 e cupom de 4,875 por cento. O Itaú, sediado em São Paulo, foi um dos dois líderes da transação. Foi a segunda operação soberana do banco em 16 meses, depois de ficar fora das colocações do governo nos últimos 11 anos. O Brasil vendeu os papéis com o menor rendimento de sua história, 3,449 por cento, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

Bancos brasileiros têm avançado na originação de emissões do governo após terem tirado mercado dos rivais estrangeiros que sofreram mais com a crise de 2008. No ano passado, o Itaú ficou em quarto lugar no ranking global de originação de dívida do governo e corporativa do Brasil. De 1999 a 2008, o banco ficou em 26º lugar, segundo dados da Bloomberg.

“Nossa estratégia é essencialmente centrada em levar o Brasil e agora também a América Latina a investidores globais construindo, ao longo dos anos, uma plataforma de distribuição de padrão de qualidade global”, disse Jean-Marc Etlin, presidente do Itaú BBA Investment Bank, em entrevista por telefone de São Paulo.

Custos de financiamento

Brasil e México, as duas maiores economias da América Latina, venderam títulos ontem para aproveitar os custos de captação próximos dos menores níveis.

O México vendeu US$ 2 bilhões em bônus com prazo de 10 anos no exterior a uma taxa de 3,71 por cento, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Deutsche Bank AG e Morgan Stanley coordenaram a operação. O rendimento da dívida pública mexicana caiu para o menor patamar histórico de 4,38 por cento em 27 de dezembro, de acordo com dados do JPMorgan Chase & Co. O custo médio de captação para o Brasil atingiu o menor nível em registro de 4,37 por cento em 13 de dezembro.

Um representante do Ministério da Fazenda, que pediu para não ser identificado em obediência à política interna, se recusou a fazer comentários para esta reportagem. O BNP Paribas SA, outro líder da captação de ontem, não respondeu aos pedidos de comentários.

“Instituições brasileiras como o Banco do Brasil e o Itaú têm capacidade de distribuição no exterior”, disse Milena Zaniboni, analista da Standard & Poor’s em São Paulo, em entrevista por telefone. “É natural que os bancos com grande operação e forte presença no exterior tenham uma fatia do negócio de emissão de eurobônus.”


Principais líderes

O Banco do Brasil SA, maior banco da América Latina em ativos, subiu da 23ª posição no ranking de originação de dívida do governo e corporativa entre 1999 e 2008 para a nona no ano passado. O Itaú, 4º colocado entre as principais instituições responsáveis por originações brasileiras em 2011, está atrás do Banco Santander SA, do HSBC Holdings Plc. e do JPMorgan.

“Quanto mais empresas vão ao exterior para levantar dinheiro, mais nós temos de estar preparados para ajudá-las a fazer isso”, Leonardo Loyola Reis, gerente executivo da diretoria de Mercado de Capitais e Investimentos do Banco do Brasil, disse em entrevista por telefone de São Paulo. O banco federal tem 40 pessoas trabalhando no exterior, comparado a 25 em 2008, disse ele. O banco acaba de abrir uma corretora em Cingapura, que se soma aos escritórios de Londres e Nova York, disse ele.

“Estão Engatinhando”

O governo e as empresas brasileiras captaram US$ 36,5 bilhões em dívida no exterior no ano passado, menos do que o recorde de US$ 39,6 bilhões em 2010, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

Com exceção do Itaú, os bancos brasileiros não fizeram grande progresso para desbancar os estrangeiros em originação, disse Alexandre Chaia, professor de finanças do Insper em São Paulo.

“Os outros bancos brasileiros, os puramente brasileiros, estão começando, estão engatinhando”, disse Chaia. “No curto prazo, não vejo muita vantagem de você crescer nesse mercado. Tem bastante liquidez no mercado, o mercado tem bastante dinheiro, mas não vejo muito apetite para colocar dinheiro em bônus de longo prazo com risco soberano grande na incerteza grande sobre os outros países.”