IPOs pós-crise geram perdas a investidor

Primeiras ofertas realizadas após a crise nos Estado Unidos mostram que o investidor não está mais disposto a pagar caro por papéis

A euforia que tomou conta da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) no primeiro semestre e que levou os investidores muitas vezes a pagar mais que o sugerido pelos coordenadores nas ofertas públicas iniciais de ações (IPOs, em inglês) parece ter ficado para trás. Apesar da nova sequência de recordes registrada nas últimas semanas, os primeiros IPOs pós-crise hipotecária nos Estados Unidos mostram que os investidores estão muito mais cautelosos no momento de aplicar seus recursos.

Se antes várias estréias aconteciam com as ações sendo negociadas no teto do valor sugerido pelos coordenadores da operação ou até acima, agora os papéis estão saindo no piso ou bem próximo a ele. “Havia muita irracionalidade no mercado. Empresas pouco estruturadas estavam sendo negociadas muito acima de seu valor justo. A turbulência serviu para mostrar aos investidores que algo estava errado”, diz o diretor da corretora Geração Futuro, Milton Milioni.

As ações da Satipel, a primeira empresa a entrar na Bolsa depois da crise, além de estrear com o menor valor estimado, amargou 4,84% de desvalorização logo no primeiro dia de negociação. As units da SulAmérica tiveram melhor aceitação. Saíram a 31 reais – 1 real acima do piso -, mas também não escaparam da desvalorização, que foi de 1,03% no dia da estréia. Passados alguns dias, nenhum dos dois papéis conseguiu ultrapassar seu preço inicial e trazer ganhos para os investidores.

Com esse cenário, não é de se espantar que os analistas apontem um caminho mais espinhoso para as novatas. “Somente as empresas que apresentarem bons fundamentos e planos concretos de retorno devem atrair investidores”, diz o gerente da área de Pesquisa da Planner Corretora, Ricardo Tadeu Martins.

O Bic Banco e a construtora Tenda, que começam a negociar suas ações na Bovespa nesta segunda-feira (15/10), seguiram o exemplo de Satipel e SulAmérica e também tiveram seus papéis fixados abaixo do preço médio. As ações do Bic Banco, que tinham estimativa de preço inicial entre 11 reais e 14,50 reais, sairão a 11,50 reais, enquanto as da Tenda ficarão no piso de 9 reais.

Ainda nesta semana, o Sistema Educacional Brasileiro (SEB), a rede de varejo Marisa e a própria Bovespa devem divulgar o preço de suas ações e iniciar a negociação dos papéis na Bolsa.