Investidores sacam R$ 49 bilhões de fundos em cinco meses

CDBs, títulos públicos e até a poupança atraem a atenção dos investidores, que migram em busca de melhores retornos

Os investidores estão abandonando os fundos de investimento. Desde abril, o volume de retiradas ultrapassa o de depósitos, resultando em uma captação líquida negativa de 49 bilhões de reais em apenas cinco meses, segundo dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid).

A fuga de recursos, no entanto, não significa que os investidores estão deixando de aplicar ou gastando suas economias. “Existem outros ativos que concorrem com os fundos”, explica o administrador de investimentos Fábio Colombo.

Um deles é o Certificado de Depósito Bancário (CDB), o título de dívida emitido pelos bancos. Com a dificuldade de captar dinheiro no exterior devido à crise desencadeada pelas hipotecas de alto risco nos Estados Unidos (subprime), as instituições financeiras brasileiras viram-se obrigadas a oferecer aos investidores taxas maiores para captar recursos. Na média, o rendimento dessa aplicação está superando o retorno dos fundos DI e de renda fixa, incentivando a migração das aplicações. Em agosto, os fundos de renda fixa, apesar de apresentar a melhor rentabilidade média da indústria de fundos – entre 0,96% e 1,15% – foram os que registraram maior saldo negativo: 5,7 bilhões de reais.

Com a disparada da inflação, outro tipo de investimento também chamou a atenção dos investidores: os títulos públicos atrelados ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Esses papéis foram os mais procurados em julho, respondendo por 41% das vendas pelo Tesouro Direto. Na ocasião, as vendas de títulos públicos pela internet para pequenos investidores bateram recorde, somando 183 milhões de reais.

A poupança é outra forte concorrente dos fundos. Em julho, a caderneta teve seu melhor desempenho no ano, captando 2 bilhões de reais. Para os investidores com baixo volume de recursos para aplicar, a poupança pode ser melhor opção que os fundos de renda fixa, já que não há a cobrança de imposto de renda e taxa de administração.

Além dos fundos de renda fixa, outras duas categorias também registraram forte perda de recursos em agosto: os multimercados alavancados com renda variável, que registraram captação líquida negativa de 2,3 bilhões de reais, e os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs), nos quais os saques superaram em 2,4 bilhões de reais os depósitos.

Os fundos de ações, apesar dos maus resultados da Bolsa, tiveram baixo volume de retiradas – 97 milhões de reais. Já os fundos cambiais viram seu patrimônio crescer 109 milhões de reais no último mês. Com uma alta de 4,5%, a moeda americana liderou o ranking de rentabilidade em agosto, impulsionando as aplicações em fundos cambiais.

Em entrevista ao Portal EXAME, o gerente-executivo da BB DTVM, Marcelo Marques Pacheco, explica em quais situações aplicar em fundos cambiais é um bom negócio.