Inflação, câmbio e juros: um fim de ano embaralhado

A carne e o câmbio devem puxar um pouco para cima a inflação em 2020, o que pode afetar a tendência de queda na taxa básica de juros

São Paulo — A semana termina com dois importantes ministros do governo jogando luz sobre a “mudança de patamar” em dois índices que mexem diretamente com a vida dos brasileiros. Primeiro, na segunda-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que o dólar continuará valorizado, numa declaração que ajudou a impulsionar ainda mais a cotação da moeda americana.

Ontem foi a vez de a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmar que o preço da carne continuará elevado. A alta já chega a 26% desde janeiro. Segundo ela afirmou ao site Poder 360, a carne “ficou por três anos com valor muito baixo” e não deve voltar à média anterior. “Mudou o patamar. Já tinha mudado o da soja, do milho”, disse. Além de fatores como o aumento da demanda dos chineses, a ministra apontou fatores climáticas para justificar a inflação.

A carne e o câmbio devem puxar um pouco para cima a inflação em 2020, o que pode embaralhar a tendência de queda na taxa básica de juros. No dia 11 de dezembro o comitê de política monetária do Banco Central deve reduzir mais uma vez a taxa Selic, para 4,5% ao ano. Mas analistas já trabalham com uma retomada da Selic em 2020.

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“Avisa ao Paulo Guedes que se continuar falando… não temos que nos acostumar com dólar alto só não, mas com juros também”, disse Ivo Chermont, sócio e economista-chefe da Quantitas, em reportagem publicada por EXAME na terça-feira.

Até as novidades desta semana, a estimativa do mercado era de inflação de 3,75%, já acima dos 3,46% previstos para 2019. A previsão de crescimento da economia está na casa dos 2% para 2020. Uma atividade mais robusta também tende a impulsionar a inflação. É um final de novembro que levou analistas de volta às calculadoras.