Ibovespa segue cena externa e abre em baixa nesta sexta-feira

Tensões na Europa e nos Estados Unidos sobre o desaquecimento da economia global afetam o mercado brasileiro; JPMorgan corta projeção para o PIB americano

São Paulo – O Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, iniciou o pregão desta sexta-feira com queda superior a 1%, com os investidores novamente temorosos sobre a possibilidade de desaquecimento da economia global.

O índice brasileiro abriu o pregão de hoje com recuo de 1,27%, cotados aos 52.458 pontos. Às 10h30 (horário de Brasília), o Ibovespa acentuava as perdas e operava com queda de 1,40%, aos 52,388 pontos. Entre os principais destaques da sessão, operavam em campo positivo os papéis da Light (+ 1,08%), B2W Varejo (+ 0,81%) e Cielo (+ 0,64%). Na contramão, as ações da Brasil Ecodiesel (- 3,33%), MMX Mineração (- 2,72%) e Sabesp (- 2,12%) figuravam entre as mais prejudicadas.

“Será mais um dia de nervosismo”, alerta José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. Segundo ele, novamente a possibilidade de recessão nos Estados Unidos e a crise de dívida pública na Europa deverão ditar as atenções do mercado.

Nesta manhã, o banco americano JPMorgan & Chase reduziu a sua estimativa para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA no quarto trimestre deste ano de 2,5% para 1,0%, e rebaixou a previsão para o primeiro trimestre de 2012 de 1,5% para 0,5%. Para piorar, o Citigroup cortou sua projeção para a expansão econômica americana de 1,7% para 1,6% em 2011, e de 2,7% para 2,1% em 2012.

Em Nova York, o índice Dow Jones, principal referência da Bolsa de Nova York, operava nos primeiros minutos do pregão com baixa de 0,88%, aos 10.894 pontos. Na mesma tendência, o Nasdaq Composite caía 0,60%, 2.366 pontos, enquanto o S&P 500 perdia 0,75%, aos 1.132 pontos.

Ainda nos Estados Unidos, o Bank of America Merrill Lynch irá suprimir 3.500 postos de trabalho no atual trimestre. Um grande plano de reestruturação do grupo prevê a eliminação de milhares de outros empregos, segundo informou a reportagem do Wall Street Journal, citando fontes próximas à instituição financeira.

Europa: crise sem fim?

Após fecharem ontem com a maior queda em dois anos e meio, as bolsas na Europa continuam a amargar novas perdas. Os bancos registram o pior desempenho nos pregões, afetados pelo medo dos investidores de que a crise de dívida pública na região possa afetar a capacidade das instituições financeiras de levantar recursos (capital).

Às 10h30, o índice DAX 30 de Frankfurt recuava 3,04%, para 5,432.70 pontos, Londres contabilizava queda de 1,71%, aos 5.005,33 pontos, e Paris operava com baixa de 2,05%, para 3.012,85 pontos.