Ibovespa recua quase 1,5% com tombo das ações da Vale e da Petrobras

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,43%, a 86.230,22 pontos

São Paulo – A bolsa paulista fechou com o Ibovespa em queda de quase 1,5 por cento nesta sexta-feira, 23, ampliando a perda na semana para 2,6 por cento, em meio ao tombo das ações da Vale e da Petrobras, conforme preocupações com o crescimento econômico global derrubaram preços de commodities no exterior.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,43 por cento, a 86.230,22 pontos.

O volume financeiro no pregão somou 12,78 bilhões de reais, mais fraco que a média diária do mês, de 14,85 bilhões de reais, afetado pela sessão mais curta nas bolsas nos Estados Unidos e entre o feriado do Dia de Ação de Graças e o fim de semana, com muitos agentes financeiros emendando.

Na semana, o Ibovespa acumulou queda de 2,6 por cento, deixando o desempenho de novembro negativo em 1,4 por cento. No ano, contudo, ainda sobe 12,86 por cento.

Para economistas do Barclays, os mercados globais voltaram a ser pressionados pela incerteza política elevada e preocupações com as perspectivas de crescimento da economia mundial, conforme nota a clientes nesta sexta-feira, assinada por Gapen, Christian Keller e Antonio Garcia Pascual.

“Não há como negar a desaceleração do crescimento global, mas a mera extrapolação do ‘momentum’ recente pode representar um quadro excessivamente pessimista”, avaliam. Eles veem espaço para redução do ruído político (Brexit/orçamento da Itália) e incertezas comerciais (EUA-China) nas próximas semanas.

Em Wall Street, o S&P 500 encerrou com queda de 0,66 por cento, acumulando perda de mais de 3 por cento na semana e de cerca de 10 por cento ante sua máxima recorde de fechamento em 20 de setembro. O petróleo Brent desabou 6 por cento, para 58,80 dólares o barril.

Do cenário doméstico, o analista Vitor Suzaki, da Lerosa Investimentos, destacou que os anúncios recentes de novos nomes para a equipe do presidente eleito Jair Bolsonaro (ministérios e estatais) reforçaram o viés econômico liberal do futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, o que agradou agentes de mercado.

“No entanto, os eventos no exterior suscitaram fuga de ativos de risco, o que afetou commodities e mercados emergentes em geral, minando também a bolsa no Brasil”, disse.

Dados da B3 mostram saída líquida de 3,36 bilhões de reais em capital externo no segmento Bovespa em novembro até o dia 21 (última informação disponível). No ano, o saldo está negativo em 9,27 bilhões de reais.

Destaques

VALE despencou 6,83 por cento, acompanhando o movimento de outras ações de mineradoras negociadas no mercado europeu, na esteira da queda dos preços de minério de ferro na China e de outros metais. BRADESPAR PN, holding que concentra seus investimentos em Vale, recuou 5,72 por cento.

PETROBRAS PN caiu 3,1 por cento e PETROBRAS ON recuou 2,34 por cento, pressionadas pelo forte recuo dos preços do petróleo no exterior, que fecharam em mínimas de 2018. A sessão também teve nova fase da operação Lava Jato, com a Polícia Federal cumprindo 22 mandados de prisão por propina de 68 milhões de reais em obra da companhia na Bahia.

USIMINAS PNA cedeu 4,86 por cento, com papéis de siderúrgicas também afetados por apreensões sobre a economia global. A companhia reuniu-se com investidores nesta sexta-feira. De acordo com relato de analistas do Bradesco BBI, está confiante de que conseguirá reajustar em 20 a 25 por cento os preços de aço para montadoras a partir de janeiro.

BANCO DO BRASIL valorizou-se 0,79 por cento, a 44,80 reais, cotação de fechamento recorde, após comentários do economista Rubem Novaes, indicado para presidir o banco no próximo governo, de que pretende usar os mercados de capitais em processos de privatizações dentro da instituição financeira. Na máxima do dia, a ação chegou a 45,79 reais.

BB Seguridade subiu 1,38 por cento, também beneficiada pelas sinalizações do futuro presidente do BB, uma vez que a companhia é o braço de seguros e previdência do banco.

BRF caiu 3,82 por cento, após alta nos dois pregões anteriores, período em que acumulou valorização de 11,6 por cento. Apesar de notícias mais positivas nesta semana, como a abertura do mercado mexicano para algumas fábricas brasileiras, incluindo da BRF, as perspectivas para a companhia seguem desafiadoras, com endividamento ainda bastante elevado.

B2W avançou 3,38 por cento e MAGAZINE LUIZA teve acréscimo de 1,47 por cento, em meio ao evento promocional Black Friday no comércio, enquanto VIA VAREJO UNIT cedeu 1,15 por cento. A consultoria Ebit|Nielsen estima que o faturamento das vendas online na Black Friday neste ano cresça 15 por cento em relação a 2017.

SARAIVA PN , que não está no Ibovespa, caiu 13,88 por cento, para 1,80 real, menor cotação de fechamento da sua história, após a maior rede de livrarias do país pedir recuperação judicial ao não conseguir acordo com fornecedores para renegociar dívidas.