Ibovespa recua e queda no ano chega a 25%

Nem mesmo os melhores números vindos dos EUA foram suficientes para segurar as bolsas ao redor do mundo

São Paulo – A sexta-feira (5) promete fechar com chave de ouro uma das semanas mais conturbadas do mercado financeiro em 2011. A primeira hora de pregão sugeria uma recuperação parcial das fortes perdas recentes. Na máxima do dia, o Ibovespa chegava subir 1,99%, aos 53.866 pontos, mas não demorou muito para um movimento de montanha-russa fazer com que o principal índice da bolsa brasileira voltasse a cair, com uma mínima de 2%, atingindo os 51.730 pontos.

Na semana, a queda do Ibovespa já chega a 11,2%. No ano, a desvalorização atinge 24%. O Bank of America reduziu sua projeção para o Ibovespa em 12 meses de 83.000 para 75.000 diante da perspectiva de crescimento menor dos lucros em 2011 e em 2012 em meio à expansão econômica mais fraca do Brasil e dos mercados desenvolvidos.

Os estrategistas do banco incluindo Pedro Martins Jr. disseram que esperam uma convergência “mais prolongada” entre os múltiplos do Brasil e dos mercados globais em meio a um desconto de 19 por cento nas bases de estimativa de lucro, segundo relatório.

Nem mesmo a notícia de que a economia dos EUA criou 117 mil novos empregos em julho, mais do que as 75 mil vagas esperadas, foi suficiente para segurar os índices ao redor do mundo no azul. A taxa de desemprego caiu para 9,1% em julho nos Estados Unidos, de 9,2% em junho, informou o Departamento do Comércio. Economistas ouvidos pela Dow Jones esperavam que a taxa ficasse inalterada em 9,2%. As informações são da Dow Jones.

A mesma volatilidade é percebida nas bolsas norte-americanas. Somente nesta semana, o índice S&P 500 mostra perdas de 7,5% nos últimos cinco pregões, enquanto o Nasdaq Composite cai 8,2%.

/libc/player/liquid3.swf

MMX

As ações ordinárias da MMX (MMXM3) buscam recuperação neste último pregão da semana. Na máxima do dia, os papéis da mineradora controlada por Eike Batista subiam 7,8%, para 6,59 reais.

Ontem, o maior declínio do Ibovespa foi representado pela MMX, cujas ações se desvalorizaram em 16%, o que significou uma fuga de 725 milhões de reais do seu valor de mercado. Eike tem 32,2% da companhia.

B2W

Representando uma das maiores quedas do Ibovespa em 2011 (-59,5%), as ações da B2W (BTOW3) desabam mais uma vez. Na mínima, os papéis caíam 7,4%, vendidos a 12,32 reais.

A empresa de comércio eletrônico, que reúne os sites Americanas e Submarino, registrou prejuízo consolidado de R$ 20,9 milhões no segundo trimestre de 2011, depois de um lucro de R$ 17,9 milhões no mesmo período do ano passado.

Segundo a companhia, a geração de caixa, medida pelo Ebitda (ganho antes de juros, impostos, depreciação e amortização), totalizou R$ 102,1 milhões, representando recuo de 7,7%. A margem Ebitda em relação à receita líquida caiu 0,6 ponto porcentual, para 12,2%. Já a margem bruta da B2W recuou 1,2 ponto porcentual, para 26,3%.

“Continuamos não recomendando a exposição nos papéis da BTOW3, dado os fracos desempenhos e as perspectivas ainda negativa para a companhia”, afirma a analista da Coinvalores, Sandra Peres, em relatório.

Lojas Americanas

A Lojas Americanas (LAME4) também reportou seus números. A empresa registrou lucro líquido consolidado, que inclui as operações de comércio eletrônico da B2W, de R$ 43,4 milhões no segundo trimestre deste ano, resultado 0,5% superior ao do mesmo período do ano passado.

Segundo relatório de administração que acompanha o balanço, a geração de caixa, medida pelo Ebitda (ganho antes de juros, impostos, depreciação e amortização), totalizou R$ 261,3 milhões, o que representou uma alta de 21,2% frente ao mesmo intervalo de 2010. A margem Ebitda cresceu 0,8 ponto porcentual no período, para 12,3%. Já a margem bruta avançou 0,2 ponto porcentual, para 29,8%. As ações preferenciais da empresa subiam 4,9% na máxima do dia, valendo 14,05 reais.

“O resultado apresentado pela companhia foi muito positivo em nossa avaliação, pois a Lojas Americanas demonstrou que continua conseguindo melhorar as suas margens operacionais, apesar do mercado estar muito competitivo. Como ponto negativo, mais uma vez destacamos o fraco desempenho de suas subsidiárias, notadamente a B2W”, destaca o analista da Concórdia Corretora, Leonardo Zanfelicio, em relatório.