Ibovespa fecha em queda pelo 2º dia seguido e volta aos 113 mil pontos

Incertezas quanto a impactos do coronavírus impacto afetaram bolsas globais; Vale e Petrobras fecharam em queda e puxaram índice brasileiro

São Paulo – O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou a sexta-feita (21) em queda de  0,79%, a 113.681,42 pontos, em meio a incertezas quanto ao avanço da epidemia de coronavírus que afetaram bolsas de todo o mundo. Na semana, o Ibovespa acumulou queda de 0,6%. O dólar encerrou a sexta-feira a 4,393 reais, alta de 0,04% no dia e de 2,14% na semana

No cenário doméstico, cautela dos investidores às vésperas do feriado prolongado de Carnaval e a queda nas ações de empresas importantes, caso da Vale e da Petrobras, ajudaram a puxar a Bolsa para baixo.

As ações da Petrobras (PETR4) fecharam em queda de 2,61% (a 29,14 reais), enquanto a Vale (VALE3) perdeu 3,97% (a 50,13 reais) após divulgar prejuízo no quarto trimestre, puxado por gastos maiores do que o esperado com o acidente de Brumadinho (MG).

“Como o mercado está em posicionamento pré-Carnaval, é natural que os investidores fiquem mais defensivos”, disse Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.

A B3, a Bolsa de Valores brasileira, não funcionará na segunda-feira e nem na terça, voltando a abrir apenas às 13h da quarta-feira (26), o que pode ter levado investidores a zerarem posições para não estarem expostos a eventuais revéses nos mercados globais neste meio tempo. 

De acordo com o diretor de renda variável da Eleven Financial, Carlos Daltozo, a possibilidade de um crescimento econômico menor do que o esperado, no Brasil e no mundo, é também um fator de influência para a instabilidade da Bolsa brasileira nestes dois primeiros meses de 2020.

“O humor tem se alternado de maneira muito rápida; há alguns dias de euforia e outros de depressão, o que tem se repetido ao menos pelas últimas seis semanas”, afirmou. Os impactos do coronavírus nos negócios de empresas da China, de países vizinhos e dos Estados Unidos se somam a dados domésticos ainda fracos.

“Reduzimos nossa projeção de crescimento do PIB brasileiro para 2020 de 2,5% para 2,35%, tanto pelos efeitos coronavírus quanto pelos dados fracos para o quarto trimestre”, disse Daltozo.