Derrubada por bancos, Bolsa cai mais de 1% e vai abaixo dos 103 mil pontos

Bradesco divulgou lucro forte, mas ações caíram mesmo assim, contagiando os demais bancos e pesando sobre o Ibovespa

São Paulo — O Ibovespa firmou-se em forte queda nesta tarde, contaminado pelo viés negativo no exterior, em mais uma sessão de noticiário corporativo intenso. Em forte baixa, os bancos ajudavam a derrubar o índice, capitaneados pelo Bradesco, que pesava negativamente apesar da alta de 25% no lucro recorrente.

Às 15h10,, o principal indicador de ações da B3 recuava 1,36 %, a 102.705 pontos. Mais cedo, o Ibovespa operava em alta.

Bancos ajudam a pressionar a bolsa brasileira

Nem a forte valorização dos papéis da fabricante de bebidas Ambev conseguiu impedir a queda da bolsa. Os papéis da empresa subiam mais de 9% durante a tarde, ao redor de R$ 19,50, após um lucro líquido R$ 2,712 bilhões no segundo trimestre de 2019, um aumento de 16,1%, na comparação com o mesmo período do ano passado. 

Com a alta, o valor de mercado da companhia era estimado em R$ 305,75 bilhões, o que faz a empresa ser a terceira mais valiosa da bolsa, atrás apenas da Petrobras (R$ 373,46 bilhões) e Itaú (R$ 329,73 bilhões).

Enquanto isso, as ações de empresas ligadas ao varejo interno tinham ganhos, beneficiadas pelo anúncio de liberação dos saques do FGTS de até R$ 500, que deve injetar R$ 30 bilhões na economia brasileira em 2019.

Mesmo com um balanço forte no segundo trimestre, o banco Bradesco sofreu uma forte queda em seus papéis na manhã desta quinta-feira (25). Tanto as ações ordinárias (ON) como as preferenciais (PN) perdiam acima de 5%. O mau humor também contaminou os papéis do concorrente Itaú Unibanco, que caía mais de 3% perto do mesmo horário, ajudando a derrubar o Ibovespa que caía mais de 1%. Santander perdia ao redor de 1,5% e Banco do Brasil recuava mais de 3%.

Exterior negativo pesa

O Banco Central Europeu manteve os juros inalterados nesta quinta, enquanto pediu à sua equipe que avalie várias outras opções de afrouxamento da política monetária, incluindo a retomada das compras de ativos.

Para o gestor de portfólio Guilherme Foureaux, sócio na Paineiras Investimentos, o pregão brasileiro segue o movimento global, que reflete decepção com o discurso do presidente do BCE. “O mercado esperava mais”, destacando posições técnicas para um tom mais ‘dovish’ da autoridade.

Em seu discurso, Mario Draghi, indicou que não houve discussão sobre possibilidade de corte já nessa reunião, mostrando que o comitê vê menos urgência no ajuste da política monetária do que o mercado, destacou o estrategista Felipe Sichel, do modalmais, em nota a clientes.