HSBC, o retorno: banco quer voltar a ter corretora no Brasil

O HSBC vai pedir neste mês que sua licença de banco de investimento seja ampliada para uma licença de banco múltiplo

O HSBC prepara seu retorno ao Brasil três anos depois de vender sua subsidiária e não pretende adiar projetos por causa do ritmo lento das reformas na economia.“A gente continua otimista”, disse Alexandre Guião, presidente no Brasil, em entrevista no escritório de São Paulo. “A gente esperava que o processo de aprovação das reformas fosse um pouco mais rápido, que a economia estaria em um patamar diferente neste momento, mas nós ainda acreditamos que a aprovação virá neste ano e que o crescimento vai decolar.”

O período de não-competição fixado na venda da sua subsidiária ao Bradesco terminou em dezembro, e a estratégia do HSBC é se tornar “relevante” de novo como banco corporativo e de investimentos no Brasil, disse Guião. O banco com sede em Londres está planejando oferecer crédito em moeda local e corretagem no país, mas não vai voltar a atuar no varejo, um negócio “muito competitivo e no qual não temos escala suficiente”, disse Guião.

O HSBC vai pedir neste mês que sua licença de banco de investimento seja ampliada para uma licença de banco múltiplo, de forma a poder oferecer mais serviços, como gestão de caixa para clientes.”Estamos conversando com o Banco Central e já informamos a eles que vamos voltar lá no ano que vem para solicitar uma licença de corretora”, disse Guião.

Os empréstimos em moeda local começarão no segundo semestre, e o HSBC também espera participar como líder na emissão de títulos de dívida corporativa no Brasil — um mercado no qual o volume caiu 12% este ano em relação ao mesmo período de 2018, para R$ 58,4 bilhões, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

O banco também pretende fazer empréstimos para Estados brasileiros, contanto que eles tenham garantia do governo federal, disse Guião. Enquanto se prepara para reabrir uma corretora, o HSBC participará de vendas de ações, distribuindo-as no exterior e tendo o BNP Paribas como custodiante. O HSBC é um dos bancos contratados para uma oferta pública inicial de ações da Neoenergia.

O presidente Jair Bolsonaro, que venceu as eleições de outubro, fez muitos movimentos positivos desde que assumiu o cargo, incluindo “nomear as pessoas certas para o gabinete econômico, para a área financeira.”Desinvestimentos planejados por bancos e empresas estatais também ajudam, segundo Guião, já que as empresas vendem subsidiárias e participações em unidades para levantar caixa e melhorar as contas fiscais. A transação da Neoenergia, por exemplo, implica a venda de participação de um banco estatal e de seu fundo de pensão.

O HSBC espera participar como assessor em muitas dessas transações, trabalhando para o comprador ou para o vendedor, disse Guião.“Há também o plano de investimento em infraestrutura, onde vemos muitas oportunidades para um banco global e especializado como nós”, disse Guião, citando estradas, ferrovias, aeroportos e portos.

Depois de vender sua unidade para o Bradesco por US$ 5,2 bilhões, o HSBC manteve uma pequena subsidiária de banco de investimento no país com cerca de 45 pessoas. Essa unidade podia apenas fazer transações no exterior, assim como derivativos e câmbio relacionadas a essas transações. Também manteve uma tesouraria que investia cerca de R$ 1 bilhão de capital do banco.

O HSBC aprovou um plano de expansão no final do ano passado e mais do que dobrou o número de funcionários no Brasil para cerca de 100, com a meta de chegar a 190 até o final de 2020.

A maioria dos gestores sêniores já está definida, incluindo o recém-contratado Marco Siqueira como chefe de liquidez global e gestão de caixa.A exposição total ao risco-Brasil aumentou 15% até agora neste ano, disse Guião. O objetivo é triplicar a receita e o lucro em cinco anos e aumentar o número de clientes para 650, de 150.”A gente entende que a vontade de fazer a coisa certa está lá no governo, e, por isso, estamos mantendo o ritmo de nosso plano de investimento”, disse Guião.