HSBC adapta modelo e reduz preço-alvo para Brasil Insurance

Analista passou a utilizar o padrão IFRS em suas projeções, o que afeta estimativas de lucro

São Paulo – O HSBC reduziu o preço-alvo para as ações da Brasil Insurance (BRIN3) de 26,30 reais para 22,70 reais, um potencial de valorização de 25,4%. A recomendação para o papel segue como overweight (alocação sugerida acima da média de mercado).

Em relatório de análises enviado para clientes, Paulo Ribeiro, do HSBC, apontou que a empresa ainda tem uma história de longo prazo atrativa, mas o novo preço-alvo reflete mudanças em algumas projeções.

Uma delas é que o modelo anterior adotava projeções com números proforma e, a partir de agora, o analista começou a basear as expectativas para os números da empresa no padrão contábil IFRS.

Ribeiro explicou que desde o início da cobertura da empresa, em janeiro de 2011, os números proforma eram utilizados pois a companhia não tinha histórico de uma companhia consolidada. “Com quatro trimestres de resultados IFRS registrados e o fato de a administração ter passado a fornecer guidance no padrão IFRS, decidimos adotar o mesmo padrão, embora isso torne sem sentido a comparação entre nossas estimativas anteriores e as atuais”, escreveu o analista.

A mudança aproxima as projeções do HSBC à de outras análises, tornando a comparação com o consenso de mercado mais fiel.

Essa alteração causa uma mudança no reconhecimento do lucro. Com isso, a estimativa de ganho líquido nesse modelo é de 126 milhões de reais neste ano (4% abaixo do consenso do mercado) e de 139 milhões de reais para 2013 (18% menor que outras estimativas).

“Daqui pra frente, a nosso ver, o cenário de queda das taxas de juros no Brasil afetará negativamente a receita financeira. Também adicionamos em nosso modelo o impacto das ações emitidas para aquisições, o qual dilui a projeção de lucro por ação”, afirmou o analista.


Outro ponto importante levantado na análise do HSBC é uma revisão nas estimativas para o crescimento orgânico do prêmio de seguros para a empresa nos próximos três anos, que passou de 17% para 13%, especialmente em função do possível crescimento menor do PIB no curto e médio prazos.

“No entanto, a nosso ver, sólidos drivers estruturais sustentam o crescimento de prêmios de seguros no longo prazo”, disse o analista, destacando entre esses fatores o baixo nível de penetração de seguros, fatores demográficos favoráveis e benefícios cruzados que a Brasil Insurance pode começar a aproveitar.

Outro ponto no radar dos investidores da empresa, conforme destaca o analista do HSBC, é a possibilidade de novas aquisições. A companhia informou em fevereiro que aprovou o valor de 200 milhões de reais como meta para este ano.

Em reunião com investidores promovida pelo HSBC, Tuca Ramos, CEO da empresa, reforçou essa expectativa para 2012. Até agora, já foram investidos 55 milhões de reais em novas compras.

Espera-se que em 2013 a Brasil Insurance invista entre 180 milhões de reais e 200 milhões de reais em novas compras, reduzindo o ritmo em 2014, com uma estimativa de gasto entre 75 milhões de reais e 100 milhões de reais em aquisições.

Como principais riscos para o preço-alvo estimado para a ação, o analista do HSBC destacou em seu relatório possíveis medidas regulatórias que afetem os negócios da empresa, concorrência mais acirrada que o esperado, aquisições a preços altos e riscos de integração das empresas compradas.

O analista também destaca um risco macroeconômico, de uma possível crise na economia brasileira, reduzindo os padrões de consumo das famílias.